Preço recorde do boi pressiona margem de frigorífico no Brasil

Tatiana Freitas
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O boom da carne bovina no Brasil já atingiu o pico, pelo menos em termos de rentabilidade.

As exportações estão fortes, lideradas pela China, enquanto o real desvalorizado favorece os embarques brasileiros. Mas a alta demanda também ajudou a reduzir a oferta de gado e a elevar os preços do boi gordo em 50% este ano, para níveis recordes. Após ter aumentado preços, a indústria deve encontrar dificuldades para continuar repassando esses custos mais elevados aos consumidores brasileiros, pressionando as margens.

A oferta de animais para abate deve continuar baixa no próximo ano, mantendo os preços do gado em alta, segundo Cesar de Castro Alves, consultor de agronegócios do Itaú BBA.

Embora a forte demanda externa por carne bovina brasileira tenha ajudado a impulsionar os lucros de empresas como JBS e Marfrig neste ano, os custos recordes do gado já significam margens mais estreitas do que há um ano, disse Alves.

“O quadro é menos confortável, apesar da boa perspectiva para as exportações para a China”, disse ele em webinar na terça-feira. As margens nas vendas internas já estão negativas, o que significa que as empresas que dependem mais do mercado local estão pior do que os frigoríficos mais voltados para a exportação, segundo Alves.

A análise está em linha com comentários de Wesley Batista Filho, presidente das operações da JBS na América do Sul, que disse no início deste mês que o cenário para o negócio de carne bovina no Brasil é “desafiador” devido à oferta de gado restrita. No terceiro trimestre, as margens da JBS Brasil, que inclui a divisão de bovinos no país, caíram para 7,5% em comparação com 13,8% no trimestre anterior e 8,5% um ano antes. A empresa conseguiu compensar parcialmente os custos mais altos com aumentos de preços no Brasil e nos mercados de exportação.

Nos próximos meses, as empresas de carne bovina podem enfrentar dificuldades para aumentar os preços domésticos devido ao ambiente econômico difícil no país. Este ano, o auxílio emergencial do governo segurou as vendas de alimentos em meio à crise do coronavírus, mas a ajuda pode ser reduzida ou terminar no próximo ano.

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