Preços do petróleo sobem após Líbia declarar força maior em campos

Por Bozorgmehr Sharafedin
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Por Bozorgmehr Sharafedin

LONDRES (Reuters) - Os preços do petróleo avançaram para os mais altos níveis em mais de uma semana nesta segunda-feira, após duas grandes bases de produção na Líbia iniciarem paralisação em meio a bloqueios militares, o que levanta o risco de a produção do país membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ser reduzida a quase zero.

O petróleo Brent fechou em alta de 0,35 dólar, ou 0,5%, para 65,20 dólares o barril, após tocar a marca de 66 dólares no início da sessão --maior valor desde 9 de janeiro.

Já o petróleo nos Estados Unidos era negociado com ganho de 0,12 dólar, ou 0,2%, a 58,66 dólares por barril. Mais cedo, a cotação atingiu os 59,73 dólares, mais alto nível desde 10 de janeiro.

Dois importantes campos de petróleo da Líbia iniciaram paralisação de trabalhos no domingo, depois de as forças leais ao comandante militar Khalifa Haftar fecharem um oleoduto, o que pode levar produção nacional a operar a uma fração de seu nível normal, disse a National Oil Corporation (NOC).

A NOC declarou força maior para os carregamentos de petróleo dos campos de Sharara e El Feel, segundo documento visto pela Reuters.

O primeiro-ministro reconhecido internacionalmente como líder líbio, Fayez al-Serraj, disse à Reuters que a Líbia enfrentará uma "situação catastrófica" a não ser que forças estrangeiras pressionem o comandante Khalifa Haftar a retirar os bloqueios.

Apesar das tensões, parte dos fortes ganhos iniciais foi devolvida ao longo do dia, após analistas e operadores afirmarem que as interrupções de oferta na Líbia terão vida curta e podem ser compensadas por outros produtores, limitando o impacto aos mercados globais.

"O mercado do petróleo permanece bem suprido, com amplos estoques e uma saudável capacidade ociosa. Em outras palavras, o impacto altista aos preços pode se provar passageiro", disse Stephen Brennock, da corretora PVM.

(Por Bozorgmehr Sharafedin em Londres, com reportagem adicional de Aaron Sheldrick em Tóquio e Rod Nickel em Winnipeg)