Precisamos ter transparência sobre o arcabouço fiscal que vamos adotar daqui pra frente, diz presidente do BC

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BRASÍLIA — Em meio a discussões sobre a PEC dos Precatórios, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, defendeu nesta sexta-feira que para criar um cenário de crescimento sustentável será necessário ter transparência sobre o arcabouço fiscal do país.

— No final das contas nós precisamos continuar avançando nas reformas e ter transparência clara em qual é o arcabouço fiscal que vamos adotar daqui pra frente — disse.

Como tem feito em outras oportunidades, Campos Neto disse que os números fiscais apresentados até agora são positivos, mas o mercado está um pouco “inquieto” porque olha para frente e se preocupa em como o país voltará a ter um crescimento estrutural.

— O importante é dizer que o estoque é super relevante, o que a gente teve de melhora é super relevante, mas os mercados são forward looking, ou seja, eles olham pra frente, querem ver o que vai ter de equilíbrio para frente — ressaltou.

Campos Neto ressaltou também que o crescimento é importante no exercício da trajetória fiscal.

— Se tiver um exercício onde tenho um crescimento de 2,5% 3,5% e taxa de juros de 5%, 6%, 7%, eu tenho uma estabilidade da dívida, uma melhora, mas se eu tiver uma taxa de juros de 12%, 13% e crescimento de 1%, a gente tem claramente uma trajetória explosiva.

A PEC dos Precatórios que está em análise no Senado é uma tentativa do governo de abrir espaço fiscal para o pagamento do Auxílio Brasil (novo Bolsa Família) em 2022.

Para isso, o projeto propõe o parcelamento dos precatórios — dívidas vindas de sentenças judiciais — e altera a regra do ajuste do teto de gastos pela inflação.

Crescimento mais baixo

Campos Neto ainda disse que o Banco Central deve diminuir sua projeção de crescimento para 2022, que atualmente está em 2,1%.

— O mundo tá com crescimento caindo um pouco, a inflação tem um grande problema que é energia e alimento e que também está acontecendo no mundo, mas então porque o crescimento do brasil segue sofrendo revisões para baixo? O número do BC está um pouco acima 2,1%, provavelmente será revisto para baixo na próxima reunião do Copom — disse.

As projeções de mercado vem caindo semana após semana, como mostra o relatório Focus. A projeção atual está em 0,93% para 2022.

— A comunidade dos agentes econômicos está revisando um pouco o crescimento pra baixo. Acho que tem uma parte do efeito que é preciso ser feito para conter a inflação, mas tem muito relacionado a essa incerteza de qual é o arcabouço fiscal, o que a gente vai conseguir fazer até o final do mandato, o que de reforma tem pela frente — argumentou.

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