‘Precisei deitar em cima da minha filha pra que ele não batesse nela’, diz mulher estuprada e ferida a tesourada

Depois de ser estuprada e ferida a golpes de tesoura pelo vizinho em São Gonçalo, a mulher de 24 anos teve que se jogar em cima da filha de 3 anos para impedir que a criança também fosse agredida pelo homem que está foragido. O caso aconteceu na madrugada de Natal, pouco depois de mãe e filha chegarem da ceia com a família. Carlos Flávio da Silva dos Santos, de 27 anos, é acusado pelo crime de estupro e tentativa de feminicídio. Contra ele foi expedido um mandado de prisão temporária.

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— Ele tentou bater na minha filha, eu deitei em cima dela para que ele não fizesse nada com ela. Levei socos na cabeça e nas costas, ele me bateu bastante. Nesse momento, comecei a gritar o mais alto que conseguia e ele fugiu — relembra a vítima.

Carlos Flávio invadiu a residência às 4h55, pela área de serviço, momento em que a mulher acordou com o barulho:

— Eu e minha filha voltamos da ceia de Natal por volta das 2h40, troquei a roupinha dela, troquei de roupa também e deitamos. Eram 4h55 quando escutei o barulho dele arrombando a porta, mas não sabia do que se tratava. Quando vi, ele já estava na minha porta e dizia que era pra eu deixar, que ele queria. Eu não reagi no começo, mas gritei quando o vi e foi aí que minha filha acordou, ela presenciou tudo — lamenta.

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As violências duraram cerca de 20 minutos. Segundo a vítima, a todo momento pedia que a filha não chorasse e dizia “que o moço já ia embora”:

— Tapava os olhos dela como dava, pedia para virar a cabeça para o lado e tentava acalmá-la, que ia ficar tudo bem. Quando tentei afastá-lo, ele pegou uma tesoura e tentou furar meu pescoço, mas fez apenas um corte. Eu consegui tirar a tesoura dele, mas ele passou a me socar. Quando revidei, ele tentou agredir minha filha.

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'Não deixa o moço voltar'

Após presenciar os episódios de violência, a criança, segundo os pais, está com um comportamento mais retraído:

— Ela sempre pediu para ir ao banheiro, mas, desde domingo, faz xixi nas calças e fala "papai, não deixa o moço voltar, ele machucou a gente". Minha filha viu o corredor e o quarto com marcas de sangue e pediu para que eu limpasse a cama dela, pois estava suja — conta o pai da menina.

Segundo a vítima, a filha parece não entender o que aconteceu e segue perguntando por que o olho da mãe está roxo.

— No primeiro dia, ela só contava que "o moço machucou a gente" e que não queria que ele voltasse. Agora, fica perguntado dos machucados. Meu olho está bem roxo e inchado e ela fica olhando e perguntando o que houve — explica.

Um inquérito foi aberto na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo para apurar os crimes e localizar o autor. Até a tarde desta quinta-feira Carlos Flávio não havia sido encontrado.

— Tudo que eu mais quero é que ele seja encontrado, da forma que for. Eu não consigo mais ter paz, me sentir segura. Passo o dia trancando janelas e portas, e mantendo minha filha do meu lado. Tenho medo de qualquer barulho que escuto, e não vou mais conseguir voltar para a minha casa. Estou tentando acreditar que o melhor é que estamos vivas. Mas todos estão muito abalados. Algumas pessoas da minha família só choram e outros nem me ver ainda conseguiram.