"Preciso salvar o governo", disse Bolsonaro ao escolher Ciro Nogueira para Casa Civil

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Futuro ministro da Casa Civil e um dos líderes do
Futuro ministro da Casa Civil e um dos líderes do "centrão" no Congresso, Ciro Nogueira chamou Jair Bolsonaro de 'fascista' e 'preconceituoso' em 2017. (Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República)
  • Jair Bolsonaro justificou a assessores a escolha de Ciro Nogueira para a Casa Civil

  • "Preciso salvar o governo", teria dito o presidente

  • O senador do PP já apoiou Lula e chamou Bolsonaro de "fascista"

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) justificou a assessores a escolha do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil no lugar de Luiz Eduardo Ramos.

Segundo reportagem do portal UOL, Bolsonaro disse: "Preciso salvar o governo". O presidente já afirmou ser parte do Centrão (grupo parlamentar com partidos de centro e de direita) e negou que o bloco seja ruim para o Brasil.

"Centrão é um nome pejorativo. Eu sou do Centrão, eu fui do PP metade do meu tempo, fui do PTB, fui do então PFL. No passado, integrei siglas que foram extintas, como PRB, PPB. O PP, lá atrás, foi extinto. Depois, nasceu novamente da fusão do PDS com o PPB, se não me engano", declarou Bolsonaro em entrevista à rádio Banda B, de Curitiba.

Nogueira, considerado um dos líderes do Centrão no Congresso e hoje aliado do governo federal, já foi próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma entrevista à TV Meio Norte, em 2017, o senador chamou o petista de "melhor presidente deste país", elogiando políticas sociais de Lula. De quebra, classificou Bolsonaro como "fascista, preconceituoso" e disse que não via o então pré-candidato em condições de assumir a Presidência.

Na última quinta-feira (22), em sua live semanal, o presidente comentou um vídeo de 2017 onde o senador o chama de "fascista" e disse que a acusação "é coisa do passado".

Quatro dias antes do recesso parlamentar iniciado no último dia 18, Ciro Nogueira informou ao Planalto que não defenderia mais o governo na CPI da Covid, da qual é membro titular. Naquele dia, o Ministério da Economia liberou uma operação de crédito de R$ 800 milhões do Banco do Brasil para o seu estado, governado por um adversário.

Ciro é pré-candidato ao governo do Piauí, contra os nomes a serem apoiados pelo governador Wellington Dias, do PT, de quem foi aliado. Dias imediatamente anunciou ter conseguido os recursos e que eles serão aplicados em obras e na área de segurança, ou seja, com fortes repercussões nas eleições do ano que vem.

Para contornar o problema, segundo o UOL, Bolsonaro telefonou pessoalmente para o senador e lhe ofereceu o controle de toda a articulação política do governo, inclusive a distribuição futura de verbas e cargos políticos.

Para isso, Luiz Eduardo Ramos terá que ser realocado da Secretaria Geral da Presidência e o atual ocupante da pasta, Onyx Lorenzoni, ganhará a chefia de um naco da Economia a ser transformado em Ministério do Emprego e Previdência.

Tudo isso deverá ser sacramentado na próxima segunda-feira (26), numa reunião tête-à-tête entre o presidente e o senador, em que também serão discutidas as possibilidades de filiação de Bolsonaro ao PP para concorrer à reeleição em 2022.

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