Preço dos aluguéis em Nova York 'assustam' depois da pandemia

Protesto de locatários de Nova York em 2020, pedindo pela suspensão dos despejos durante a pandemia. Desde então aluguel cresceu em mais de 100% (STRF/STAR MAX/IPx)
Protesto de locatários de Nova York em 2020, pedindo pela suspensão dos despejos durante a pandemia. Desde então aluguel cresceu em mais de 100% (STRF/STAR MAX/IPx)
  • Poucos são aqueles que conseguem achar apartamentos que ainda cabem no orçamento;

  • Proprietários estão tentando ganhar o dinheiro perdido em aluguel durante o período da pandemia;

  • A maioria dos locatários se vê despejada de sua casa e obrigada a se afastar da comunidade em que vive.

Uma matéria do New York Times revelou um fato preocupante que vem ocorrendo ao redor do mundo: o aumento no preço dos aluguéis após a pandemia. A reportagem utilizou dados da plataforma de busca de imóveis StreetEasy, que notou um aumento de 100% ou mais no valor do aluguel em várias cidades americanas, como Nova York.

Quando a pandemia iniciou, em 2020, muitas pessoas de grandes centros urbanos voltaram para suas cidades originais, o que fez com que os proprietários baixassem o valor que cobravam dos inquilinos, de modo a evitar o esvaziamento dos imóveis.

Com isso, muitas pessoas aproveitaram para viver mais próxima do trabalho, da família ou da comunidade com a qual se identificam. Foi o caso de Cathy Linh Che, que se mudou para próximo de Chinatown, tradicional bairro de cultura asiática de Nova York. Antes ela demorava cerca de uma hora para ir até o bairro.

Durante as negociações com a imobiliária, Cathy foi assegurada de que o valor não aumentaria tanto nos próximos anos, algo cerca de 8%. Só que assim que o contrato expirou, seu proprietário a surpreendeu com um contrato de renovação com um aumento de 65%. “Fiquei com raiva. Eu me senti enganada”, disse.

Só que esses reajustes não estão sendo igualitários para todos. Inquilinos que alugaram durante a pandemia estão vendo esses pulos absurdos de preço, enquanto aqueles que já viviam no local antes da pandemia viram aumentos na taxa dos 10% a 20%, que ainda é grande quando comparada aos 3% dos reajustes controlados por autoridades municipais.

“Os proprietários estão basicamente tentando recuperar a renda perdida durante a pandemia e estão pedindo aumentos de aluguéis de forma intensa nas unidades que foram oferecidas durante esse período”, afirmou o economista da StreetEasy Kenny Lee.

Alguns locatários acabam conseguindo realocação em apartamentos menores próximos do antigo. Entretanto, para a maioria o fenômeno é sinônimo de expulsão e afastamento da comunidade em que vivem.