Preços disparam e carro ‘popular’ fica caro para o brasileiro

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  • Modelos de entrada tiveram aumento de 20%

  • Preços explodiram por causa do dólar e falhas na cadeia de suprimentos

  • Carro "popular" estará cada vez mais distante da realidade do brasileiro

Os preços dos ‘saudosos’ carros populares ficaram no passado. O Volkswagen Gol está na casa dos R$ 90 mil e o Fiat Uno, R$ 64 mil. E cada vez mais fica complicado para o brasileiro comprar um carro popular por um preço adequado. Dólar, dificuldade na cadeia de suprimento e uma série de fatores têm feito o preço dos veículos explodirem no Brasil.

Uma pesquisa realizada pela KBB Brasil, no começo de dezembro, considerou os modelos de entrada para 2022 e comparou com o mesmo modelo na versão 2021. E o preço sofreu um aumento de 20% nesse ano. O Fiat Mobi Easy 1.0 teve um aumento de 15,3% no valor comparativo. O Argo da empresa italiana sofreu aumento de 20,2% ao longo do ano.

O Yahoo Finanças fez uma lista com os 10 carros mais baratos e que valem a pena o investimento nesse momento complicado e volátil da economia.

Renault Kwid

BANTEN, INDONESIA - JULY 19: Renault KWID is displayed during GAIKINDO Indonesia International Auto Show at Indonesia Convention Exhibition (ICE), in Banten, Indonesia on July 19, 2019. The exhibition is organized by the Association of Indonesian Automotive Industries (GAIKINDO) taking place from July 18th to 28th. (Photo by Anton Raharjo/Anadolu Agency/Getty Images)
O modelo ultrapassou a barreira dos R$ 40 mil no ano passado

O Kwid é, atualmente, o carro mais barato do Brasil. O modelo da marca francesa foi lançado em 2017 e sempre figurou entre os veículos de ‘menor’ valor no país. Quando chegou ao país, o carro custava R$ 29990 e, agora, está na casa dos R$ 44 mil, ou seja, um aumento de 50% no período. E não espere que os valores vão parar por aí. O modelo ultrapassou a barreira dos R$ 40 mil no ano passado, e do mês passado para cá já sofreu reajuste de novo. Esta versão Life custava R$ 42.690 no início de maio e em junho ficou mais cara que o Mobi Easy. Depois, o concorrente da Fiat o ultrapassou novamente.

Fiat Mobi

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

O Mobi já ocupou o posto do Kwid como o carro mais barato do Brasil. O modelo lançado em 2016 e era incomodado também pelo falecido chinês Chery QQ. O Mobi, inclusive, chegou a “desbancar” o rival da marca francesa em junho de 2021. A versão que custa menos de R$ 50 mil tem o mínimo. Banco rebatível, tomada 12V, calotas nas rodas e comando interno dos espelhos retrovisores. Ar e direção hidráulica não figuram nem entre os opcionais e o motor é o 1.0 Fire.

Fiat Uno

O Uno, um dia, foi um dos carros mais baratos do Brasil. Agora, o modelo de entrada do carro da Fiat ultrapassa a casa dos R$ 60 mil. O carro que tem mais de 40 anos no mercado está perto do adeus, a Fiat não tem planos de seguir com o modelo por mais uma década e, atualmente, tem apenas uma versão, a Attractive, que tem saída de R$ 64 mil.

Hyundai HB20

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

A segunda geração do compacto da marca sul-coreana consegue se manter nos R$ 60 mil com esta configuração de entrada Sense. Em meio a tantas opções de conjunto mecânico da linha, o modelo de entrada usa o eficiente – e até esperto, guardada as devidas proporções – motor três canecos aspirado. Airbags laterais além dos frontais obrigatórios, ar, direção elétrica, som com Bluetooth, computador de bordo, vidros dianteiros e travas elétricos.

Chevrolet Joy

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

A geração do hatch continua à venda para ser o primeiro GM entre os carros mais baratos do país. Contudo, resiste também mais pela produção interrompida da segunda geração do compacto há meses, devido à falta de componentes. O antigo Onix, rebatizado de Joy, a propósito, sobrevive no mercado para tapar esse buraco deixado na linha, pois vende pouco em comparação ao irmão mais moderno. O Joy entra no grupo de carros acima dos R$ 60 mil (atualmente, o carro está na casa dos R$ 64 mil).

E por que os carros saltaram de preço em 2021?

Pandemia, falta de equipamentos para produção. A situação para produzir carros em 2021 tem complicado as montadoras. Para termos uma ideia, compradores estão colocando os nomes nas listas para de espera e podem ter de aguardar meses até que possam adquirir seus carros. As grandes fabricantes estão produzindo menos automóveis porque não existem semicondutores suficientes no mercado, uma peça essencial em sua produção. A isso se soma uma grande demanda por chips por parte de empresas de tecnologia, que fabricam de eletrodomésticos, computadores e telefones celulares até consoles de videogames.

No Japão, país de marcas como Toyota e Nissan, a escassez de peças fez com que as exportações do setor caíssem 46% em setembro, em comparação com o ano anterior, uma clara demonstração da importância da indústria automobilística para sua economia.

Como não existem produtos novos em quantidade suficiente disponíveis no mercado, a demanda por veículos usados aumentou, elevando o custo médio de um automóvel de segunda mão nos Estados Unidos para mais de US$ 25 mil. De fato, o valor médio de um veículo vem subindo cerca de US$ 200 a cada mês.

Preço do carros sobem mais que a inflação

As montadoras tiveram que enfrentar o fechamento de fábricas e concessionárias. O resultado pode ser visto no constante aumento nos preços dos carros 0 km no Brasil. A demanda ainda está aquecida, enquanto a oferta não foi normalizada, o que piorou a situação dos preços. A evolução dos valores cobrados pelos automóveis superou a inflação oficial registrada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE.

Em um levantamento feito pela CNN Brasil, carros como o Toyota Corolla Cross, que estreou nesse ano, e o Hyundai Creta, que passou por uma reestilização recentemente, ficaram de fora por ainda não terem completado um ano de mercado. O maior aumento está justamente no veículo mais vendido do Brasil no mês passado. A atual geração da Fiat Strada estreou no mercado brasileiro em junho de 2020. Sua versão mais barata custava R$ 63.590 enquanto hoje o modelo não sai por menos de R$ 84.390. O aumento foi de 32,71%. Já a inflação oficial no período foi de 10,62%, três vezes menos. Corrigindo o valor de lançamento apenas pelo IPCA, o preço seria de R$ 70.347.