Prefeita de Ubatuba contradiz pesquisador da Unesp, nega ataques de tubarão e se diz preocupada com o turismo: 'Ninguém viu'

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A prefeita de Ubatuba (SP), Flávia Pascoal (PL), publicou na tarde desta segunda-feira um vídeo em suas redes sociais negando que as ocorrências envolvendo mordidas de tubarão nas praias do munícipio tenham acontecido. A afirmação contradiz os laudos feitos pelo Instituto Argonauta, ligado ao aquário da cidade, com apoio do pesquisador da Unesp Otto Bismarck Gadig, especialista em tubarões.

Segundo a prefeita, ela entrou em contato com a família da idosa de 79 anos que teria sido mordida por um tubarão em Praia Grande. De acordo com a filha da vítima, a idosa teria se cortado após ter caído ao ser atingida por uma onda. Em relação ao primeiro acidente, na praia do Lamberto, ela nega que também tenha se tratado de um incidente envolvendo um tubarão, mas não oferece explicação alternativa. Veja o vídeo abaixo:

Na gravação, Flávia Pascoal diz ainda estar preocupada com os impactos no turismo:

— Temos que colocar isso às claras para que isso não venha a prejudicar a vinda de turistas para Ubatuba. Ninguém viu.

O Instituto Argonauta diz manter sua posição de que os incidentes envolveram tubarões. Ainda de acordo com o oceanógrafo Hugo Gallo Neto, presidente do instituto, o resultado das análises dos dois casos levou em consideração o formato dos ferimentos, a presença de marcas de dentes, além dos relatos das vítimas e testemunhas.

No dia 3 de novembro, um turista francês sofreu um ferimento enquanto frequentava a praia do Lamberto, na mesma cidade. De acordo com seu relato, ele sentiu a mordida enquanto estava nadando e após ter avistado um cardume de peixes. A vítima recebeu atendimento médico e retornou ao seu país de origem. Dias depois, o Instituto Argonauta confirmou se tratar de uma mordida de tubarão. Foi o primeiro episódio envolvendo esse animal em 32 anos a acontecer na cidade.

No dia 14 de novembro, uma idosa de 79 anos se banhava nas águas da Praia Grande quando sentiu a mordida do animal. A suspeita do Instituto e do pesquisador da Unesp Gadig é que a mordida tenha sido feita por um tubarão-tigre ou um tuburão cabeça-chata.

Segundo o Instituto, a presença desses animais na costa pode estar atrelada a busca por alimentos, e fenômeno similar estaria acontecendo com baleias, que estariam sendo mais avistadas na região nos últimos anos. No entanto, o Instituto Argonauta ressalta que é ainda cedo para afirmar o motivo por trás do aparecimento desses animais.

O Instituto afirma que as pessoas não precisam deixar de frequentar o mar, mas deu recomendações de como se prevenir:

▪ Ficar sempre em grupo. Os tubarões normalmente atacam banhistas solitários

▪ Não se afastar demasiadamente da praia, onde estará isolado e longe de assistência

▪ Não avançar para águas muito profundas, não ultrapassando, de preferência, o ponto onde alcança pé▪ Evitar nadar de manhã cedo e ao final da tarde, quando os tubarões são mais ativos

▪ Não entrar na água, se estiver sangrando de um ferimento

▪ Não usar jóias brilhantes ao entrar na água

▪ Não bater constantemente na água e evitar banhar-se com pequenos animais

▪ Não nade em meio a cardumes de peixes ou onde as pessoas estão pescando

▪ Evite nadar quando a água estiver muito turva

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