Prefeito anuncia fim da operação no Rio Madeira: 'As balsas de vocês não serão mais queimadas'

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BORBA (AM) E BRASÍLIA — O prefeito de Borba (AM), Simão Peixoto (PP), anunciou na tarde desta segunda-feira o encerramento da operação Uiara que combate o garimpo ilegal no Rio Madeira. A operação é coordenada pelo Ministério da Justiça e é executada pela Polícia Federal e Ibama, com o apoio da Força Nacional e das Forças Armadas. A assessoria da pasta, no entanto, ainda não confirmou a informação.

— Quero dizer que a partir de hoje a operação foi cancelada. Consegui falar com a assessoria do ministro da Justiça. Estou indo amanhã para Brasília — anunciou o prefeito a um grupo de cem garimpeiros. — Mas ele mandou uma recomendação para nós: enquanto não for decidido... As balsas de vocês não serão mais queimadas. As balsas que estão no fundo, procure tirar e montar novamente, mas vocês estão impedidos por enquanto ainda de extrair o ouro — afirmou.

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A notícia foi recebida com festa pelos garimpeiros, que soltaram fogos de artifício. Eles seguravam cartazes com protestos contra a ação da PF e Ibama, dizendo que eles "não são bandidos".

Ministro se encontrou com deputado

Nesta segunda-feira, parlamentares do Amazonas se movimentaram em Brasília para encontrar um meio-termo entre a operação da polícia contra o garimpo ilegal e a manutenção da economia da região.

A pressão evidenciou a sinuca de bico em que ficou o Palácio do Planalto com a situação: por um lado, auxiliares admitem que os ministérios da Justiça e do Meio Ambiente se viram forçados a agir em meio à uma tentativa do governo de adequar sua mensagem de combate ao crime na região amazônica. Por outro lado, a regularização do garimpo sempre foi defendida pelo presidente Bolsonaro e ambientalistas afirmam que esse posicionamento incentivou a atuação de criminosos na região.

Nesta segunda-feira, antes do prefeito de Borba anunciar a suspensação temporária da operação, o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) esteve com o ministro da Justiça, Anderson Torres, para defender a cautela na operação. Na conversa, ficou definido que o superintente da Polícia Federal no Amazonas iria entrar em contato com os prefeitos da região para uma possível adequação sobre o procedimento adotado.

— É preciso separar o joio do trigo. Muitas dessas balsas que foram queimadas eram residências dessas famílias. São mais de 8 mil famílias que vivem dessa atividade e, muitas delas, regularizadas, com termo de lavra — disse Câmara ao GLOBO.

Além disso, os prefeitos são esperados em Brasília para uma reunião com a bancada do Amazonas. O encontro deverá ocorrer na sede do PSD porque o presidente da bancada é o senador Omar Aziz, que foi presidente da CPI da Covid no Senado.

Segundo o deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM), o governo teve que agir em razão do excesso de balsas na região. Em suas redes sociais, o parlamentar chegou a compartilhar um dos vídeos da operação publicados pelo ministro Anderson Torres. Entretanto, assim como Cãmara, Neto destacou a necessidade de que a polêmica levante a discussão sobre a regularização do garimpo no Rio Madeira.

— O presidente Bolsonaro briga para que a gente possa sentar e discutir sobre a regularização, para facilitar que se tenha uma estrutura para se fiscalizar. Assim do jeito que tá, quem paga o preço é o morador dessas regiões — afirmou.

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