Prefeito apela ao Supremo Tribunal contra fechamento de escolas em Buenos Aires

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Agente de saúde realiza um teste para detectar a covid-19, no centro de convenções Costa Salguero, em Buenos Aires, em 5 de abril de 2021

O prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, anunciou nesta quinta-feira (15) que vai recorrer à Suprema Corte para evitar o fechamento de escolas, decretado pelo governo nacional de Alberto Fernández, que visa impedir um aumento exponencial de casos da covid-19.

“Discordamos totalmente da decisão de suspender as aulas presenciais”, disse Rodríguez Larreta em coletiva de imprensa, argumentando que a decisão presidencial “é totalmente inadequada no contexto epidemiológico atual. Não há evidências de saúde que a justifiquem”.

O presidente Fernández anunciou a suspensão das aulas presenciais por duas semanas, a partir da próxima segunda-feira, na Área Metropolitana (AMBA, Buenos Aires e sua periferia), onde vive um terço da população do país.

“Minha convicção é de que os meninos e as meninas da cidade de Buenos Aires têm que estar nas salas de aula na segunda-feira e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para isso”, garantiu o prefeito.

Ele acrescentou que "não podemos desistir das aulas presenciais novamente", como aconteceu no ano passado, desde a segunda semana do ano letivo que coincidiu com o início da pandemia.

Rodríguez Larreta advertiu que vai “apresentar um amparo ao Supremo Tribunal de Justiça para ser tratado com urgência” e exigiu que o presidente “retome o diálogo”. Posteriormente, foi convocado para uma reunião na sexta-feira com o presidente.

Fernández havia manifestado sua intenção de evitar ao máximo a suspensão das aulas presenciais, mas mudou sua postura diante da aceleração das infecções, com cerca de 25 mil casos na quarta-feira, mais da metade na AMBA e enquanto especialistas alertam que o sistema de atendimento hospitalar está à beira do colapso.

O anúncio presidencial gerou protestos em vários bairros da cidade, enquanto sindicatos de professores e muitos pais comemoravam a suspensão que vinham exigindo.

O prefeito de Buenos Aires expressou sua desaprovação, mas disse que acatará o resto das novas restrições anunciadas, incluindo a extensão da proibição de circular. Ela entrará em vigor das 20H00 às 06H00, enquanto o limite de horário comercial será das 9h00 às 19h00 para a Região Metropolitana.

Com 45 milhões de habitantes, a Argentina acumula 2,6 milhões de infecções e 58.542 mortes desde o início da pandemia.

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