Prefeito de Budapeste desiste de candidatura para viabilizar frente única na Hungria

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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - Formar uma frente única de oposição pode ser a única forma de tirar do poder o líder autocrata húngaro Viktor Orbán, mas não será sem sacrifícios, mostrou nesta sexta (8) o prefeito de Budapeste, Gergely Karácsony.

Um dos principais idealizadores da estratégia de unir seis diferentes partidos para lançar um candidato único contra o premiê nacionalista da Hungria, o ambientalista se retirou da disputa, em favor do conservador Péter Márki-Zay.

O prefeito de Budapeste chegou a ser apontado como favorito para liderar a candidatura de oposição, mas foi outro o resultado do primeiro turno dessa escolha, feito na semana passada.

Karácsony ficou em segundo lugar, com 27,3% dos votos, atrás da socialista Klára Dobrev, vice-presidente do Parlamento Europeu (34,8%).

Márki-Zay foi o terceiro, com 20,4%, o que ainda o mantinha no segundo turno: a frente havia combinado que a escolha final seria entre os três primeiros colocados.

Mesmo com mais votos que Márki-Zay, Karácsony desistiu da disputa porque duas pesquisas mostraram nesta semana que o político conservador tem mais chances que ele de obter a indicação final.

A preocupação do prefeito de Budapeste é que, se Klára Dobrev for a escolhida, as chances de vencer Orbán na eleição de março de 2022 sejam reduzidas.

A eurodeputada é mulher do ex-primeiro-ministro Ferenc Gyurcsány, um político controvertido no país, o que pode afastar eleitores mais à direita ou indecisos sobre manter Orbán no poder.

Já Márki-Zay é exatamente o protótipo do conservador desencantado com os rumos tomados pelo atual primeiro-ministro.

As 49 anos, ele é casado, pai de sete filhos e se apresenta como um "eleitor cristão de direita decepcionado com o Fidesz (partido de Orbán)".

Engenheiro eletricista e economista, Márki-Zay surpreendeu ao vencer em 2018, sem experiência política prévia, a eleição suplementar para prefeito de Hódmezövásárhely, cidade do sudeste da Hungria onde o partido de Orbán era forte.

Embora ele discordasse das plataformas de partido de esquerda, contou com esse apoio para obter o cargo e passou a defender a frente única nacional para impedir a reeleição do premiê em 2022.

O conservador foi cofundador do Movimento Hungria para Todos (MMM, na sigla em húngaro), grupo apartidário que trabalha pela união dos que se opõem a Orbán. Em 2019, à frente da agremiação e com o apoio dos outros partidos, foi reeleito com uma vantagem sobre o Fidesz de 30% dos votos.

Já Karácsony, um político cosmopolita com conexões europeias, é muito popular na capital e tem apoiadores nas grandes cidades, mas enfrentou resistência nos povoados do interior, justamente onde o Fidesz é mais forte.

Ao anunciar a retirada de sua candidatura, o prefeito de Budapeste afirmou que Márki-Zay "provou sua integridade, seu amplo apelo na direita e na esquerda, e pode vencer Orban em 2022".

Acrescentou ainda que "a mudança está chegando na Hungria", embora os números mostrem que há uma árdua batalha pela frente.

Nas pesquisas mais recentes, sem um nome ainda definido pela frente única, Orbán aparece com cerca de metade das intenções de voto. Mas, por causa de distorções do sistema húngaro, esses 50% podem ser suficientes para que o Fidesz controle dois terços do Parlamento.

Em 2014, por exemplo, o premiê conseguiu a maioria constitucional (66% das cadeiras) com apenas 42% dos votos, após reduzir o número de distritos eleitorais e alterar os perímetros das circunscrições para favorecer seu partido --manobra conhecida como "gerrymandering".

Além de encontrar o mais viável candidato a primeiro-ministro, a frente única precisa coordenar o lançamento de apenas um candidato em cada um dos 106 distritos eleitorais, e uma lista comum para as outras 93 cadeiras do Parlamento, além de definir um programa eleitoral também conjunto.

O segundo turno para a candidatura da oposição vai deste domingo (10) até o próximo sábado, e o resultado deve ser divulgado no dia 17.

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