Prefeito da Filadélfia suspende toque de recolher, mas pede que população 'fique em casa'

·2 minuto de leitura
Policiais na Filadélfia, Pensilvânia, em 28 de outubro de 2020
Policiais na Filadélfia, Pensilvânia, em 28 de outubro de 2020

O prefeito da Filadélfia decidiu nesta quinta-feira (29) suspender o toque de recolher imposto no dia anterior, mas pediu à população que "fique em casa" após os distúrbios na cidade causados pela morte de um homem negro baleado pela polícia na segunda-feira. 

"Não haverá toque de recolher esta noite, mas encorajamos os moradores a ficar em casa", tuitou Jim Kenney, prefeito democrata da maior metrópole do estado da Pensilvânia. 

Na noite de quarta-feira, Kenney tinha ordenado um toque de recolher das 21h às 6h da quinta-feira, após dois dias de manifestações e roubos que deixaram dezenas de policiais levemente feridos. 

A noite de quinta-feira foi mais tranquila, de acordo com jornalistas da AFP, mas algumas lojas foram danificadas ou saqueadas. 

A polícia afirmou ter registrado 29 saques, quatro policiais levemente feridos e 11 caixas eletrônicos danificados. 

No total, desde o início dos protestos na noite de segunda-feira, 210 pessoas foram presas e 57 policiais ficaram feridos, um deles gravemente, segundo um porta-voz da polícia. 

As manifestações começaram depois que um vídeo foi postado nas redes sociais mostrando um homem de 27 anos, Walter Wallace Junior, ser morto a tiros na rua por dois policiais em West Philadephia.

A polícia relatou uma intervenção após uma denúncia sobre uma briga doméstica e que, ao chegar ao local, ordenaram que Wallace largasse uma faca com a qual estava armado e que o jovem se recusou a cumprir a ordem. 

Segundo o advogado da família Shaka Johnson, o homem sofria de transtorno bipolar e o telefonema feito não foi para a polícia, mas para a emergência médica.

Ele ainda ressaltou  que a polícia efetuou 14 disparos, quando apenas um seria o suficiente imobilizá-lo. 

Os dois agentes que participaram dos incidentes, cujos nomes não foram divulgados, foram suspensos.

 A polícia e o promotor local abriram uma investigação. A chefe da polícia da Filadélfia, Danielle Outlaw, prometeu "transparência total". 

O prefeito disse nesta quinta-feira que espera "tornar públicas em breve" as imagens filmadas pelas câmeras da polícia, o que deve permitir um melhor entendimento das circunstâncias do ocorrido. 

Citado pela mídia local, Johnson afirmou que as imagens, que a família da vítima pôde ver na quinta-feira, mostram um homem que "tem claramente um transtorno mental". 

No vídeo, alguém grita "ele tem problemas mentais", antes que um dos policiais dê ordens "para atirar nele". 

Essas manifestações ocorrem poucos dias antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos. A Pensilvânia é um dos estados pendulares para as eleições. 

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump citou os distúrbios na Filadélfia como um exemplo do fracasso das autoridades municipais em manter a ordem nas cidades administradas por democratas.

cat/sdu/dg/rsr/bn/mvv