Prefeito de Duque de Caxias ainda não foi intimado sobre bloqueio de bens

Flavio Trindade
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O prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ainda não foi notificado da decisão do juiz Belmiro Fontoura Ferreira Gonçalves, que determinou o bloqueio parcial de bens do político. Mesmo assim, Washington Reis já está preparando um recurso contra a decisão, fruto de uma ação movida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que pediu a condenação do político por desobedecer as medidas do Plano Nacional de Vacinação (PNI) e as decisões judiciais determinando respeito aos grupos prioritários.

Em nota, a Prefeitura de Duque de Caxias informou que Washington Reis soube da notícia exclusivamente pela imprensa e discordou dos fundamentos da decisão que decretou sua indisponibilidade patrimonial por não ser razoável tal restrição para custeio de eventuais e futuros danos morais coletivos. O valor não foi arbitrado em sentença judicial. O recurso será impetrado assim que a notificação for recebida. O prefeito acredita que tal posicionamento será revisto por medida de justiça.

Nesta segunda, mesmo com a vacinação sendo restrita a grupos segmentados, como profissionais da educação das redes pública e privada e pessoas com comorbidades, houve aglomerações nos postos e pessoas furando a fila. No posto da Vila Olímpica de Duque de Caxias, houve quem encarasse a situação com bom humor. A professora do ensino fundamental Cristiana do Carmo, de 43 anos, foi se vacinar com um fantoche de um jacaré, em uma referência ao fato de o presidente Jair Bolsonaro ter dito em dezembro a frase “Se você virar um jacaré, é problema seu”, em alusão a possíveis efeitos colaterais das vacinas.

— Hoje é dia de virar jacaré! Chegamos aqui antes das seis horas da manhã, então só encarando com bom humor. Nós (professoras) combinamos de trazer um jacaré porque falaram besteira aí de as pessoas virarem bicho depois de se vacinar. E o mais triste é pensar que tem gente que leva a sério e acredita nisso. Mas estou feliz de ter conseguido me vacinar e torço para que todos tenham essa oportunidade e podermos voltar em breve à normalidade. Eu quero poder dar aulas normalmente, interagir com os alunos. Se Deus quiser, vai passar — disse.

Outra professora a comemorar muito foi Gisele Ribeiro, de 30 anos, que foi ao posto com o filho de poucos meses e recebeu a primeira dose da Astrazeneca.

— Vai ser muito bom poder voltar a trabalhar normalmente. Quero poder abraçar meus alunos, minha família e todo mundo de quem tivemos de ficar longe nesse ano que passou. Vamos acreditar na ciência e na vacina que vamos superar esse momento.

Mas, apesar do otimismo e alívio, a logística adotada no posto da Vila Olímpica não era das recomendadas pelas autoridades sanitárias. Com um fluxo muito grande de pessoas, houve filas enormes, espera de mais de quatro horas pela imunização e muita aglomeração. Houve também quem conseguisse furar a fila e se vacinar mesmo não sendo parte dos seguimentos previstos ou mesmo dos grupos prioritários. A dona de casa Lucimar da Silva Cabral, de 52 anos, compareceu ao posto e conseguiu ser vacinada, mesmo não estando em nenhuma das categorias previstas.

— Me falaram que eu poderia ser vacinada. Cheguei, entrei na fila e só pediram minha identidade. Agora não sei se podia ou não, mas estou feliz por ter conseguido.

Com relação ao retorno da aplicação da segunda dose da CoronaVac, o prefeito Washington Reis informou que a cidade recebeu apenas pouco mais de 600 doses na vacina neste fim de semana. Com isso, a prefeitura divulgou nesta segunda-feira que em função do baixo quantitativo entregue pelo Ministério da Saúde, a Secretaria Municipal de Saúde entrará em contato com as pessoas que receberam a primeira dose em 24/03 e datas anteriores, para prestar mais informações sobre a segunda aplicação. Com isso, a vacinação de segunda dose em postos segue interrompida até que o município recebe novas remessas que atendam à demanda da população.