Prefeito de extrema direita francês desafia o governo e reabre museus

·2 minuto de leitura
O prefeito Louis Aliot fala no museu Hyacinthe-Rigaud, reaberto, em 9 de fevereiro de 2021, em Perpinhã

O prefeito de extrema direita de Perpignan reabriu, nesta terça-feira (9), quatro museus desta cidade do sudeste da França, desafiando as restrições do governo central que mantém todos os museus do país fechados devido à pandemia de covid-19.

"Há um vírus, temos há muito tempo, temos que conviver com ele. Haverá variantes, haverá vírus. Há tratamentos, há vacinação, e existem todos os cuidados que tomamos, vamos nos acostumar. E isso começa por experimentar as coisas", declarou Louis Aliot, do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN) à imprensa.

"Eu considero o museu um lugar muito propício para isso, porque é um lugar onde você pode controlar as coisas da melhor maneira possível. Estamos de férias. Há jovens que hoje estão impedidos de praticar esportes, de ir para as estações de esqui. Vamos abrir um pouco de museus e locais de cultura para eles", acrescentou.

Os museus em todo o país estão desesperados para reabrir, mesmo que parcialmente, após meses de fechamento. Restaurantes, bares, cinemas e academias em toda a França também estão fechados.

O museu de arte Hyacinthe-Rigaud de Perpignan declarou à AFP que cerca de 50 visitantes chegaram na manhã desta terça-feira 15 minutos após a sua reabertura.

"Há muitas pessoas", disse uma recepcionista ao telefone.

O museu de arte catalã Casa Pairal e o Museu de História Natural também confirmaram a reabertura. O quarto, o museu da moeda Joseph Puig, só reabriria na quarta-feira.

Na noite de segunda-feira, o representante regional do Estado foi à Justiça para tentar suspender a reabertura dos locais.

A ministra da Cultura, Roselyne Bachelot, prometeu na segunda-feira que os museus e monumentos nacionais seriam os primeiros locais a reabrir, mas apenas quando as taxas de infecção diminuíssem.

A França contabiliza até agora cerca de 80.000 mortos pela covid-19.

Depois de falar com 30 diretores de museus, Bachelot disse que eles se mostraram "muito abertos" à possibilidade de impor um limite de um visitante por 10 metros quadrados, em comparação com um por 4 metros quadrados antes do fechamento.

Na semana passada, centenas de pessoas da comunidade artística assinaram duas petições ao governo para exigir a reabertura dos museus.

"Por uma hora, um dia, uma semana ou um mês, desejamos reabrir nossas portas, mesmo que tenhamos que fechá-las novamente no caso de outro confinamento", pediram.

cpy-meb/zm/mr