Prefeito de Jaboticabal decide apoiar ex-secretário, e vice, também candidato, reage

MARCELO TOLEDO
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JABOTICABAL, SP (FOLHAPRESS) - A disputa eleitoral em Jaboticabal (SP) ganhou um novo capítulo com a recente entrada na campanha do prefeito José Carlos Hori (Cidadania), que desistiu da reeleição e anunciou apoio ao candidato Professor João (DEM), seu ex-secretário da Saúde. A decisão do prefeito pelo apoio gerou reações de seu vice, Vitorio de Simoni (MDB), também candidato, e de Professor Emerson (Patriota), que foi à Justiça Eleitoral contra o que qualificou como uso indevido das lives diárias feitas por Hori. Fora da disputa sob a alegação de cansaço, Hori participou oficialmente da disputa pela primeira vez na última quinta-feira (29), quando esteve no horário eleitoral gratuito no rádio e disse que a pandemia do novo coronavírus é tão séria "que mais do que nunca" precisaria entrar na campanha. João já vinha demonstrando interesse na participação do ex-chefe na disputa. Em sabatina do jornal Folha de S.Paulo, por exemplo, ele fez elogios à primeira-dama, Adriana Mialich Hori, e acenou para o apoio de Hori, que o convidou para assumir a Secretaria da Saúde no início de 2019. No rádio, o prefeito disse que a pandemia ainda é um problema sério em Jaboticabal, o que o motivou a entrar na campanha. "Perdemos 54 pessoas em oito meses de Covid, não é só isso, são as consequências disso, é a postura do novo gestor, com pulso firme", disse Hori, que conclui em 31 de dezembro seu terceiro mandato à frente da prefeitura. A entrada do prefeito na eleição gerou reação do seu vice, Vitorio, que é um dos adversários de João na disputa. "Considerando que o atual prefeito manifestou publicamente apoio ao candidato João Roberto da Silva, para quem ainda tinha dúvidas sobre esse apoio, agora fica mais do que evidente." "Fica claro aquilo que eu sempre disse e aquilo que eu disse também à sabatina da Folha de S.Paulo, que o meu governo, o governo Vitorio de Simoni, não será um governo de continuísmo", disse o emedebista, em seu programa de rádio no horário eleitoral. Em vídeo publicado por João, o prefeito Hori afirmou que já apoiou e elegeu um vice (Raul Girio, em 2012) e que não foi feliz. "Não acertamos, tivemos muita dificuldade." João disse à Folha de S.Paulo que não há previsão de participação do prefeito em atos de campanha, como caminhadas ou visitas a associações ou empresas, mas que espera a adesão da primeira-dama, inclusive aparecendo nas ruas. No sábado (31), o candidato postou vídeo em redes sociais com a adesão de Adriana à campanha. A entrada do prefeito na campanha fez Emerson ir à Justiça pedir liminar para o que considerou infração eleitoral do prefeito durante as lives diárias que Hori faz. Desde o início da pandemia, o prefeito tem usado suas redes sociais para informar a população sobre o cenário dos casos na cidade, mas utiliza o momento também para comentar outros assuntos ligados à administração, como falta d'água, transporte coletivo e problemas do dia a dia do governo. O juiz eleitoral Carlos Eduardo Montes Netto acolheu a manifestação do Ministério Público e vetou o uso das lives para outros temas que não seja a situação da Covid-19. "Foi deferido à administração pública fazer uso de propaganda institucional, em virtude da situação calamitosa que nos acomete Covid-19, mas apenas neste sentido. Outrossim, no caso em tela, o agente público faz uso indevido da liberalidade concedida com a finalidade de desequilibrar o jogo das forças no processo eleitoral. É mister a busca pelo princípio da igualdade", diz trecho da decisão do juiz. Em sua live na manhã desta terça-feira (3), Hori disse que, por causa da denúncia feita à Promotoria, vai interromper as lives nas próximas duas semanas. "Como nós sempre tivemos cordialidade muito grande com o Ministério Público, um respeito muito grande ao nosso Judiciário, hoje eu paro as nossas lives até dia 16 de novembro, após as eleições. Cumprindo assim uma determinação, não sei se serei citado, mas independente se for citado ou não, peço a compreensão de vocês", disse Hori. À tarde, Emerson disse que as lives sobre coronavírus são importantes para a cidade, que o prefeito não está impedido de realiza-las e que a decisão judicial se limita a que ele não use o espaço para falar de outros temas. Conhecida como Athenas Paulista, mas também já chamada de Cidade das Rosas e de Cidade da Música, Jaboticabal tem cobertura completa da Folha de S.Paulo durante as eleições municipais deste ano. Uma campanha parelha, problemas estruturais e a atuação restrita da imprensa profissional são alguns dos ingredientes que tornam interessante a cobertura jornalística nessa cidade de 77 mil habitantes. Jaboticabal, ao contrário do que já ocorre em outras localidades menores, não tem uma TV (comunitária ou educativa) para a transmissão do horário eleitoral gratuito, o que faz com que a campanha seja diferente das disputas dos grandes centros. Os candidatos, e a própria dinâmica local, são acompanhados diariamente pelo jornal, assim como ocorre nas eleições em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Além dos ingredientes políticos colocados na disputa deste ano, Jaboticabal foi escolhida pela Folha de S.Paulo por ser uma cidade com forte peso educacional, com quatro universidades ou centros universitários, e também se destacar economicamente na agricultura e nas indústrias de alimentação e cerâmica.