Prefeito Marcelo Crivella é preso em casa no Rio

ANA LUIZA ALBUQUERQUE
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*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, 26.02.2019 - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, 26.02.2019 - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), foi preso na manhã de terça-feira (22), em operação da Polícia Civil e do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).

Imagens da TV Globo mostraram o momento em que o prefeito desembarcou do carro da polícia, trajando terno escuro, e entrou na Cidade da Polícia Civil, por volta das 6h30.

Também foram detidos o empresário Rafael Alves e o delegado Fernando Moraes. Todos são alvos da operação que investiga suposto esquema de propina na prefeitura.

Marcelo Crivella está nos últimos dias do mandato, que termina em 31 de dezembro. Ele foi disputou a reeleição e foi derrotado por Eduardo Paes (DEM), que toma posse em 1º de janeiro de 2021.

Em setembro, Crivella foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua casa e em seu gabinete no Palácio da Cidade.

O Ministério Público investiga um esquema de pagamento de propina na prefeitura –chamado de "QG da propina"– comandado pelo empresário Rafael Alves, amigo de Crivella.

Trocas de mensagens indicaram, para o Ministério Público, que o prefeito tinha ciência das ilegalidades supostamente cometidas no município. Ainda não há denúncia formalizada.

O inquérito contra Crivella, cujo conteúdo integral está sob sigilo, foi aberto no ano passado com base na delação premiada de Sérgio Mizrahy, um agiota da zona sul da cidade.

Ele apontou o empresário Rafael Alves, ex-dirigente do Salgueiro e da Viradouro, como o responsável por cobrar propina na Riotur. A empresa municipal de turismo era presidida até março por seu irmão, Marcelo Alves.

O delator disse que Rafael Alves cobrava propina de empresas contratadas pelo município ou que têm dívidas a receber de gestões anteriores. O agiota disse que recebia cheques do empresário como vantagem indevida para trocar por dinheiro vivo.

Mizrahy não entregou evidências do envolvimento direto do prefeito em seus anexos oferecidos aos procuradores e homologado pela Justiça. Mas a proximidade de Rafael Alves com Crivella colocou o bispo licenciado da Igreja Universal como um dos alvos da apuração. A apuração tem fotos dos dois caminhando e conversando na Barra, onde moram.

Alves foi doador de campanha do PRB, antigo nome do Republicanos, desde 2012. Tanto a sigla como Crivella receberam do empresário R$ 745 mil nas eleições de 2012 e 2014.

Na eleição de 2016, quando Crivella foi eleito, ele não aparece como doador na prestação de contas do prefeito. Mas segundo relatos feitos à reportagem, atuou como arrecadador para a campanha.

Após a vitória, ganhou um afago: foi convidado por Crivella para uma viagem em Israel.