Prefeito Marcelo Crivella: ‘população de rua gera constrangimento’

Lucas Altino
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Moradores de rua na Avenida Marechal Câmara. Prefeitura deu início a censo dessa população
Moradores de rua na Avenida Marechal Câmara. Prefeitura deu início a censo dessa população

Alegando que a quantidade de moradores em situação de rua cresceu e ajudou a disseminar a Covid-19 pela cidade, o prefeito Marcelo Crivella anunciou ontem um censo da população que vive nas calçadas do Rio. O levantamento deverá embasar um novo pedido à Justiça de permissão para internações compulsórias. Em agosto, uma liminar impediu o município de fazê-lo, pois faltaram justificativas técnicas. Agora, além de associar os sem-teto a um suposto agravamento da pandemia, Crivella argumenta que eles vêm causando “constrangimento à população formal”.

— Pode ter certeza que o Centro e a Zona Sul tiveram muito mais população de rua do que o normal. A população de rua aumentou muito, gerando constrangimento enorme à população formal — disse o prefeito numa entrevista, na qual também afirmou que recebe diariamente vídeos de moradores, principalmente de Copacabana, com imagens do problema.

As entrevistas para o censo começaram ontem e serão feitas até quinta, num trabalho conjunto das secretarias municipais de Assistência Social e Direitos Humanos e de Saúde, do Instituto Pereira Passos (IPP) e da empresa Qualitest, contratada por licitação para o projeto. O último censo da população de rua realizado pela prefeitura, em 2018, provocou polêmica ao apontar que o município tinha 4.628 pessoas vivendo nas calçadas. Dois anos antes, um levantamento chegou a 14.279. A Defensoria Pública do Rio considera que são quase 15 mil.

Na coletiva, Crivella culpou a decisão judicial que impediu internações compulsórias pelo suposto aumento da população de rua. Segundo ele, se o município pudesse obrigar os sem-teto a ir para abrigos, a disseminação do coronavírus teria diminuído. Ele admitiu que, com o censo, quer reunir dados para embasar um novo pedido.