Prefeito de Nova York anuncia toque de recolher em meio a protestos

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou um toque de recolher em Nova York nesta segunda-feira (1), das 23h às 17h, após protestos que abalaram a cidade após a morte de George Floyd, seguindo o exemplo de outras cidades americanas.

De Blasio disse em sua conta no Twitter que a decisão foi tomada após uma conversa com o governador Andrew Cuomo.

"Apoiamos protestos pacíficos", mas após a violência e os saques nos últimos dias "para a segurança de todos, decidimos implementar um toque de recolher na cidade de Nova York hoje à noite", justificou.

Ao menos 140 cidades americanas organizaram manifestações contra a brutalidade policial e o racismo no último domingo, segundo a imprensa local. Em uma dezena delas foi imposto um toque de recolher, como Los Angeles, Houston e Washington DC.

O prefeito e o governador de Nova York anunciaram em um comunicado que a polícia aumentará a presença nas ruas como forma de prevenir a violência e impedir vandalismo e saques.

"Apoio e protejo as manifestações pacíficas na cidade" pela morte de Floyd, disse Blasio em comunicado.

"As manifestações que vimos tem sido pacíficas. Não podemos deixar que a violência esconda a mensagem desse momento. É muito importante e a mensagem deve ser escutada", ressaltou o prefeito.

De Blasio, que é branco, é casado com uma mulher negra. Sua filha Chiara, de 25 anos, participou de um dos protestos por causa da morte de Floyd no sábado e foi presa pela polícia, que a liberou no mesmo dia. O prefeito disse estar orgulhoso dela.

Nesta segunda, cerca de mil manifestantes protestavam pacificamente na Times Square, aplaudindo e gritando "Goerge Floyd, George Floyd" e "Black Lives Matter" ("Vidas negras importam").

"Estou aqui porque minha vida importa", contou à AFP Shina Moore, uma afro-americana de 23 anos.

Moore disse que desafiará o toque de recolher dessa noite.

"As pessoas não vão respeitar. Cuomo é nosso governador, está fazendo um bom trabalho, mas essa não é a sua luta. Esses protestos continuarão enquanto forem necessários: um dia, uma semana, um mês, um ano".

O prefeito disse ter conversado com o chefe da polícia, Dermot Shea, sobre incidentes de repressão de manifestantes. Um carro policial foi filmado enquanto se lançava contra um grupo de manifestantes, e o caso está sendo investigado.