Macron tenta conter Marine Le Pen com homenagem a vítimas do Holocausto

Antonio Torres del Cerro.

Paris, 30 abr (EFE).- O social liberal Emmanuel Macron homenageou neste domingo as vítimas do Holocausto em mais uma tentativa de conter sua queda nas pesquisas, que ainda o situam como vencedor nas eleições presidenciais francesas de 7 de maio contra a ultradireitista Marine Le Pen, embora com uma margem menor.

A uma semana do segundo e definitivo turno das eleições, os primeiros na França sem um candidato dos tradicionais partidos de centro-direita ou da esquerda moderada, Macron visitou em Paris o Mémorial de la Shoah ("do Desastre", em hebreu) e o dos Mártires da Deportação.

O ex-ministro de Economia entre 2014 e 2016 e ex-banqueiro pretende assim reconduzir sua campanha depois de um início ruim, no qual, de acordo com vários analistas, se viu superado por Le Pen, que soube passar a imagem de uma candidata muito próxima ao povo.

Desde o domingo passado, quando passou ao segundo turno como o mais votado, com 24,03% dos votos, Macron, de 39 anos, caiu vários pontos, segundo as pesquisas, que lhe situam com uma vitória frente à candidata ultradireitista ainda confortável (60%), mas menor do que alguns institutos previam (65%).

O candidato, para o qual pediram voto o presidente em fim de mandato, o socialista François Hollande, e boa parte dos Republicanos (centro-direita), recebeu um novo apoio, o do ex-ministro centrista Jean-Louis Borloo.

Com esta homenagem de hoje, realizada no Dia da Deportação na França, cujo regime colaboracionista contribuiu para mandar 200.000 judeus aos campos de extermínio, Macron buscou reforçar sua imagem de tolerância frente à de Marine Le Pen e seu partido.

A Frente Nacional (FN) esteve envolvida em numerosas polêmicas "negacionistas", como a do pai de Marine e um dos fundadores da FN, Jean-Marie Le Pen, ou a de Jean-François Jalkh, que teve que afastar-se nesta sexta-feira da direção interina do partido por declarações sobre as câmaras de gás que ele nega.

A própria Marine se viu envolvida semanas atrás na controvérsia "negacionista" ao afirmar que a França não foi responsável pelas detenções e deportações de judeus durante a ocupação nazista em 1942, dado que, em sua opinião, o regime colaboracionista não representava o país.

Marine Le Pen, que acaba de firmar uma aliança com a direita eurofóbica de Nicolas Dupont-Aignan, prosseguiu hoje as tentativas de aumentar sua base eleitoral com uma visita surpresa à fábrica de produtos de alumínio Altéo de Gardanne (sul), no centro de uma polêmica ambiental pelo vazamento de substâncias contaminantes ao Mediterrâneo.

Embora esta ação eleitoral tenha carecido do impacto midiático da de quarta-feira, quando também inesperadamente apareceu em uma fábrica de eletrodomésticos prestes a ser fechada, Le Pen tentou conquistar os eleitores com mais consciência ecológica, especialmente os do candidato de extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon, e os do socialista Benoît Hamon, eliminados no primeiro turno.

Segundo a candidata, o Estado pode colaborar com o setor privado para "proteger os empregos", ao mesmo tempo em que protege os franceses dos "riscos ambientais ".

O discurso pró-meio ambiente não é muito comum em Le Pen, que criticou, por exemplo, o custo da transição à energia verde e se opôs ao fechamento da central nuclear de Fessenheim, a mais antiga da França, para evitar a perda de postos de trabalho.

Antes de visitar a fábrica de Altéo de Gardanne, a líder da extrema direita também fez uma discreta homenagem em Marselha às vítimas do Holocausto.

Além disso, em uma entrevista ao jornal "Le Parisien", Marine Le Pen explicou um dos pontos mais confusos de seu programa econômico: como sairá da zona euro.

A candidata propôs a coexistência de duas moedas, uma para transações nacionais e outra para as internacionais, pois julgou que a moeda única europeia "está morta" e é responsável por grande parte do desemprego na França. EFE