Prefeito de Pacaraima pede reforço na segurança para protesto contra venezuelanos

PATRÍCIA CAMPOS MELLO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de Pacaraima (RR), Juliano Torquato (PRB), pediu ao governo federal reforço na segurança da cidade neste sábado (17), quando será realizado um protesto contra a entrada de venezuelanos no município.

A data marca um ano dos confrontos em que a população da cidade queimou os pertences e agrediu refugiados.

“Estamos muito preocupados com a possibilidade de confrontos sérios, há muita população de rua (venezuelanos)”, disse Torquato à reportagem.

O senador Telmário Mota (PROS-RR) também acha que a chance de ocorrerem conflitos é grande. "Brasileiros e venezuelanos vão para a rua, e há essa predisposição (de conflitos)". ​

Em grupos de WhatsApp de Roraima estão circulando convocações para o protesto, sublinhando se tratar de uma manifestação pacífica contra a escalada da violência na cidade.

O senador pediu ainda ajuda do governo federal para conter possíveis confrontos no sábado, e defendeu que a acolhida de venezuelanos seja suspensa.

“Quero apelar ao governo federal para que a acolhida de venezuelanos seja suspensa tanto no município de Pacaraima, quanto no estado de Roraima”, disse. Segundo o senador, os serviços públicos e a segurança na cidade e no estado estão sobrecarregados.

“E também precisamos de suporte para o prefeito de Pacaraima, Juliano, que acabou de me ligar dizendo que há possibilidade de confrontos entre os munícipes e a população venezuelana no sábado. Qualquer coisa que acontecer, o governo federal será responsável.”

Em 18 de agosto de 2018, Pacaraima se transformou em uma zona de conflito entre brasileiros e venezuelanos, com pedradas, ataques com bombas de gás improvisadas, incineração de pertences de refugiados e destruição de carros dos moradores locais.

Grupos de brasileiros perseguiram refugiados venezuelanos que viviam na cidade de Roraima e queimaram seus pertences após um comerciante local ter sido surrado em uma tentativa de assalto na véspera.

Agredidos com pedaços de pau, os refugiados foram expulsos das tendas que ocupavam na região na fronteira do Brasil com a Venezuela.

Autoridades calculam que Roraima abrigue hoje cerca de 80 mil venezuelanos, refugiados da crise política e econômica no país vizinho.