Prefeito de SP recebeu repasses de empresa investigada na máfia das creches, diz jornal

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SÃO PAULO — O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e uma empresa de sua família receberam cerca de R$ 31 mil de uma empresa investigada no esquema conhecido como máfia das creches, segundo o jornal "Folha de S.Paulo".

As transferências foram descobertas pela Polícia Civil de São Paulo por meio da quebra de sigilo de pessoas suspeitas de participar dos desvios de verba do município. Dois dos repasses a Nunes foram feitos no início de 2018, quando ele era vereador.

A investigação da polícia aponta para um esquema em que a verba da prefeitura para pagar despesas de creches é desviada no meio do caminho, ao passar pela Associação Amiga da Criança e do Adolescente (Acria), uma entidade conveniada para intermediar esses repasses. Por meio de notas fiscais frias e do não pagamento de encargos sociais de funcionários, empresas terceirizadas ficariam com o dinheiro que deveria custear alimentação e aluguel dos estabelecimentos, por exemplo.

Escritórios de contabilidade e empresas fornecedoras de notas frias estariam envolvidos nas fraudes.

Do dinheiro recebido pela família do prefeito, R$ 11 mil chegaram diretamente a Nunes pela empresa Francisca Jacqueline Oliveira Braz Eireli, que recebeu repasses de R$ 2,5 milhões da Acria e suspeita de fornecer notas fiscais frias. Outros R$ 20 mil tiveram a Nikkey Serviços S/S Ltda, empresa de sua família, como destino.

A Acria gere creches na Zona Sul de São Paulo e tem proximidade com Nunes. Ele diz ser voluntário da entidade e conhece alguns de seus membros há vários anos. Elaine Targino, ex-presidente da entidade, por exemplo, foi sua funcionária.

Quando vereador, Nunes participou em 2018 de um evento na Câmara Municipal idealizado por Rosângela Crepaldi. Segundo a polícia, ela estaria por trás de uma empresa de contabilidade investigada, a Fênix, e também seria ligada a entidades conveniadas da prefeitura.

O jornal "O Estado de S. Paulo" noticiou em outubro de 2020 que a Nikkey recebeu 25 pagamentos de oito creches da Acria, no valor de R$ 50 mil. Na ocasião, Nunes afirmou que os valores eram referentes a pagamentos por serviços prestados abaixo do preço de mercado.

Procurado pela "Folha", o prefeito não negou os repasses, e disse que "jamais participou de qualquer evento fraudulento ao longo de toda a sua atuação profissional, quer seja no âmbito privado, quer seja no público, bem como torce e atua, com a maior presteza, para que todos os fatos sejam prontamente esclarecidos".

"O prefeito Ricardo Nunes, por meio de seus advogados constituídos, esclarece que, embora não tenha sido intimado para prestar esclarecimentos atinentes ao caso em voga, assim que soube da existência das investigações requereu acesso ao procedimento com intuito de auxiliar as autoridades na apuração dos fatos, o que se dará a partir da apresentação dos esclarecimentos à autoridade policial", declarou em nota.

Já a Nikkey, empresa de controle de pragas em nome de Regina Carnovale Nunes, esposa do prefeito, e de Mayara Barbosa Reis Nunes, sua filha, "as movimentações apontadas a ele e à empresa NIKKEY SERVIÇOS não possuem natureza ilícita, cujas justificativas serão apresentadas às autoridades".

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