Prefeito de SP tenta diminuir dependência do PSDB na Câmara Municipal

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 07.02.2022 - O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 07.02.2022 - O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando Ricardo Nunes assumiu a Prefeitura de São Paulo, em maio do ano passado, seu partido era uma sigla mirrada na Câmara Municipal, com apenas três vereadores. Um ano depois, o MDB já briga para ser a maior força da Casa.

As aquisições têm sido intermediadas pelo próprio prefeito, que lidera a sigla na cidade e tem bom trânsito na Câmara, e parte por ser ele próprio um ex-vereador.

Até agora, já migraram para o partido Janaína Lima, vinda do Novo, e Marlon Luz, do Patriota. A sigla espera anunciar ainda Ely Teruel (Podemos), Paulo Frange (PTB) e Thammy Miranda (sem partido).

Com isso, o MDB chegaria a oito nomes na Casa, mesmo número de PT e PSDB, exatamente as maiores bancadas. George Hato, Marcelo Messias e Delegado Palumbo eram os três emedebistas eleitos originalmente em 2020 --todos continuam na sigla.

"Tenho a agradecer a confiança dos vereadores em caminharmos mais próximos ainda no projeto de transformação da nossa cidade", afirmou o prefeito à Folha. Questionado se o aumento da bancada do MDB deverá contribuir com seu projeto de reeleição em 2024, Nunes escreveu por mensagem: "Naturalmente, sim."

Questionado se o PSDB, de quem é aliado, poderia ficar enciumado com a articulação, ele saiu pela tangente. "Estaremos juntos, somando forças", escreveu.

O crescimento do MDB na Câmara ajuda o prefeito a diminuir a dependência do PSDB de seu antecessor, Bruno Covas. O tucano morreu em maio de 2021 em decorrência de um câncer, abrindo caminho para Nunes, até então vice, assumir o comando da cidade.

O crescimento do MDB ocorre justamente em momento de maior fragilidade do PSDB. Há um racha entre os tucanos após o então governador paulista, João Doria, vencer as prévias para ser o pré-candidato do partido à presidência. Uma ala da sigla, porém, tem defendido o nome do ex-governador gaúcho Eduardo Leite, derrotado no processo interno.

Marco Vinholi, presidente do PSDB paulista, minimizou possíveis impactos da articulação de Nunes entre os tucanos. "Não vejo nenhuma relação conosco e acho muito positivo o fortalecimento do MDB e do prefeito Ricardo Nunes, nossos grandes aliados", disse ele.

Janaína Lima foi para o MDB após confusão no Novo, sigla na qual foi acusada de agressão pela ex-colega de partido Cris Monteiro, também parlamentar na Câmara, e acabou expulsa.

O motivo da briga foi por um desentendimento pelo tempo de fala que cada uma teria no plenário. Na ocasião, Janaína disse que "agiu em legítima defesa do início ao fim do caso".

Ela disse que foi convidada pelo prefeito e outras lideranças da sigla. "Ingressei no MDB com o apoio de uma figura pública emblemática na história do nosso país, o ex-presidente Michel Temer, e de dois políticos que se distinguem no nosso cenário partidário, o meu amigo e prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o acolhedor presidente Baleia Rossi [presidente nacional da sigla]", disse, em nota.

Ela diz que ter em comum com o partido "o desafio de levar a patamar de maior qualidade a realidade socioeconômica dos brasileiros".

Marlon Luz também chegou ao MDB após ser expulso de seu antigo partido, o Patriota. Sua saída aconteceu junto com a de outros nomes ligados ao MBL, após a direção da sigla decidir se aproximar de do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Novamente, a chegada do vereador foi uma intervenção direta de Nunes. "Eu aceitei o convite dele, eu vi que as propostas que eu fiz para São Paulo foram bem recebidas pelo prefeito, no sentido do trânsito, que é minha principal pauta", diz ele, que tem como base eleitoral os motoristas de aplicativo.

Pré-candidato a deputado federal, ele afirmou que, na sigla, teria melhores condições de executar seus planos.

A reportagem procurou as assessorias dos vereadores Frange, Teruel e Thammy Miranda, que deixou o PL após a chegada de Bolsonaro à sigla, mas não obteve confirmação sobre a mudança.

Na Câmara, Nunes tem conseguido aprovar projetos com celeridade, como as mudanças nas regras previdenciárias do município e a prorrogação de contratos sem licitação.

No entanto, para tentar a reeleição, terá de lidar com a baixa taxa de aprovação. Após 11 meses no cargo, o prefeito é aprovado por apenas 12% da população paulistana, mostra pesquisa Datafolha.

Antes dele, e considerando-se os limites da margem de erro, só Celso Pitta (então no PPB), com 15%, Gilberto Kassab (então no PFL), com 15% no primeiro mandato, e Fernando Haddad (PT), com 18%, registraram marca tão baixa no ano inaugural de suas gestões, segundo a série histórica iniciada em 1986.

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