Prefeitos de SP falam em decepção e injustiça sobre prorrogação da quarentena

MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Prefeitos de algumas das principais cidades do interior de São Paulo reagiram de diferentes formas ao anúncio do governador João Doria (PSDB) de prorrogar a quarentena até o dia 31 em todo o estado, que vão de decepção e injustiça ao apoio à decisão.

Independentemente da posição, porém, três dos prefeitos ouvidos pela reportagem deverão apresentar, na segunda-feira (11), em reunião na capital, propostas para defender a flexibilização em suas cidades.

O prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB), que foi à Justiça para tentar reabrir o comércio nas últimas semanas, disse que a decisão é decepcionante e que vai lutar para conseguir reabrir atividades econômicas impactadas pelo decreto.

"Fui surpreendido [com a prorrogação], como muitas pessoas [...], nos deparamos com essa extensão da quarentena, sem, claro, a comunicação aos prefeitos", disse.

Na segunda, prefeitos das sedes das regiões administrativas do estado se reunirão em São Paulo, às 16h, dentro de um comitê criado pelo governo.

Segundo Ramuth, nos últimos 20 dias prefeituras têm conversado com o governo sobre a importância de serem levadas em consideração as características regionais. "Com o anúncio, percebemos que isso não foi feito. A primeira sensação é de decepção."

Já o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB), disse esperar que, com o comitê, outras opiniões possam ser mostradas e que é injusto tratar todas as regiões iguais sendo que há locais em que a restrição absoluta não é necessária. "Não é justo impor de maneira generalizada para todo mundo um sacrifício, sendo que há regiões que permitem atividades sem essa restrição absoluta que está se fazendo."

Ele disse que a curva de contaminação na cidade é linear e que há capacidade com folga para atendimento de pacientes em leitos de UTI e enfermaria. "Entendo que não podemos tratar os desiguais de maneira igual."

Prefeito de Bauru, Clodoaldo Gazzetta (PSDB) disse que apresentará um projeto que transforma indicadores numa fórmula matemática para mostrar o que poderia ser aberto ou não na cidade.

Ela, que precisa, segundo ele, ser validada pelo estado e pesquisadores, consiste em atribuir um valor após análise de indicadores estatísticos e epidemiológicos que resultará em um de cinco cenários --de lockdown à abertura total.

"Estamos na fase 2, após o lockdown, mas consigo começar a fase 3, que é flexibilizar alguns setores, com restrição."

Sobre a prorrogação da quarentena, ele disse que, se o entendimento do estado foi esse, tem de concordar.

Em Campinas, o prefeito Jonas Donizette (PSB) disse, na internet, que vai prorrogar a quarentena no município até o dia 31, seguindo o estado, e que não discordou por ter recebido informação do centro de contingência de que o risco de transmissão no interior está muito alto.

Já o prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado (PSDB), disse que ser favorável à necessidade da quarentena não faz ignorar as dificuldades econômicas. Segundo ele, o estado está diante de um momento crucial em relação à escalada da propagação do coronavírus e "não há margem para experimentações".