Prefeitura acelera para garantir Bandeira Azul para a Praia da Reserva até o verão de 2020

Carolina Callegari
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Praia da Reserva tenta ser a segunda da cidade a ter a certificação da Bandeira Azul

RIO — Desde a última segunda-feira, a Prainha voltou a ostentar a Bandeira Azul, certificação internacional que havia perdido por não comprovar a qualidade de suas águas. Ao mesmo tempo em que comemora a conquista, a Secretaria municipal de Meio Ambiente acelera para garantir o selo de qualidade também para a Praia da Reserva, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. O processo dura habitualmente dois anos, mas o objetivo é exibir o símbolo já no verão de 2020.

A bandeira é concedida pela Foundation for Environmental Education (FEE), organização não governamental que certifica praias, marinas e embarcações em todo o mundo a partir de 34 critérios, com foco em sustentabilidade. A candidatura da Reserva foi aprovada em setembro, após a apresentação dos primeiros documentos. Agora, cabe à prefeitura tomar as providências necessárias de modo a cumprir exigências divididas nas categorias gestão ambiental, educação ambiental e segurança e qualidade da água. Equipes estrangeiras da FEE e do Instituto Ambientes em Rede (IAR), coordenador nacional do programa no Brasil, inspecionam periodicamente o trabalho.

Gestor do Parque Natural Municipal Nelson Mandela, área de preservação ambiental na qual a Praia da Reserva está inserida, Gilmar Tito diz que as primeiras ações já estão sendo realizadas.

— A limpeza nós já temos, com varreduras diárias. A acessibilidade é um quesito primordial que queremos trabalhar logo. Começamos a olhar a praia de um outro jeito e identificamos três pontos em que são necessários um suporte melhor por parte dos bombeiros, com a instalação de postos. E estamos planejando começar ações ambientais no final do mês ou no início de dezembro. Temos duas técnicas cuidando desse desenvolvimento, com atividades voltadas para quem já frequenta a Reserva, em especial as crianças, e temas como limpeza e uso do plástico. O programa prevê essa etapa para mais adiante, mas queremos trabalhar isso logo — conta.

Tito foi um entusiasta de primeira hora da candidatura da praia:

— É uma área que tem beleza, fauna e flora ricas e água própria para banho, o que favorece a candidatura.

A Prainha conquistou o selo pela sétima vez. É a única praia da cidade do Rio a ostentá-lo. No estado, há mais uma: a Praia do Peró, em Cabo Frio. O secretário municipal de Meio Ambiente, Bernardo Egas, espera que, além da Reserva, outros trechos de areia cariocas possam pleitear a bandeira no futuro. Ele destaca os benefícios dos pontos de vista da preservação ambiental e do turismo, sobretudo o internacional.

— A bandeira é muito valorizada e ajuda no reconhecimento do Rio no exterior. Até mesmo a consciência dos frequentadores locais melhora; eles passam a cuidar mais do local — diz o secretário.

As praias cadastradas podem receber inspeções com ou sem aviso prévio. No caso do Brasil, na fase piloto, na qual a Reserva está agora, a equipe do IAR acompanha os preparativos e, caso haja necessidade, auxilia com um cronograma indicando o que precisa ser feito e em que prazo. Diretora técnica do programa no Brasil, Leana Bernardi diz que a Reserva é forte candidata à certificação.

— Numa das vezes em que estive no Rio para acompanhar a situação da Prainha, uma pessoa da comunidade me perguntou: “Por que não a Reserva?”. A praia tem potencial para receber a bandeira — diz.

O certificado é renovado anualmente. Após a conquista, a bandeira deve ser hasteada todos os dias. Se alguma das condições para mantê-la não está sendo cumprida, os próprios frequentadores podem entrar em contato com o programa, por meio de números de telefone divulgados em materiais expostos nos locais com o símbolo.

Exigências já existentes facilitam adequação ao programa

A expectativa é que o empenho da Praia da Reserva em conquistar, pela primeira vez, a Bandeira Azul estimule ainda mais sua preservação e visitação. Gilmar Tito diz que os frequentadores da área são em sua maioria famílias e turistas estrangeiros que buscam locais mais tranquilos.

— Vemos aumento do turismo nas praias com certificação. A Reserva já está em uma unidade de conservação, o que faz com que tenha regras mais restritivas e mais próximas dos critérios da Bandeira Azul, o que é positivo — afirma.

Técnica da Gerência de Unidades de Conservação Ambiental da Secretaria municipal de Meio Ambiente, Eliana Zannini Ayres foi indicada como representante da prefeitura para o programa. Ela salienta a relevância do selo para a economia da cidade. Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), Alfredo Lopes ressalta a importância de iniciativas como a certificação para fomentar o turismo.

— É urgente olhar para o meio ambiente como elemento estratégico. Trata-se de um importante ativo para a economia do Rio de Janeiro, especialmente no que diz respeito ao turismo, que está tão relacionado ao patrimônio natural de um destino. Isso fica ainda mais evidente em uma cidade de natureza privilegiada como a nossa.

Na Prainha, reduto de surfistas, a Bandeira Azul fez o número de visitantes estrangeiros crescer até 30% nos últimos anos, de acordo com Abílio Fernandes, gestor do Parque Municipal Natural da Prainha. O aumento do fluxo exige atenção redobrada da equipe. E os frequentadores, salienta, ajudam, fiscalizando uns aos outros. Até porque, muitas vezes, os banhistas não sabem que leis válidas em outros pontos do município não se aplicam a unidades de conservação, como a Prainha e a Reserva. A recente permissão para que cachorros possam ir à praia, por exemplo, não abrange estas áreas.

— Esta é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, e a praia faz parte da área de preservação, que não está só do portão do parque para dentro. Por isso, cães e gatos não são permitidos — explica Fernandes.

Professor de inglês, diariamente Luis Manbrini cai no mar da Prainha com sua prancha. E, garante, é um dos frequentadores que respeitam as regras locais e cuidam para que todos os outros o façam:

— Isso aqui é um santuário. Estamos todos em conexão, dos trabalhadores dos quiosques aos bombeiros, passando pelo público de fora.

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