Prefeitura de BH prepara 1.900 covas em cemitérios como plano de contingência

FERNANDA CANOFRE

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O prefeito Alexandre Kalil (PSD) anunciou nesta terça-feira (28) que pediu que fossem preparadas 1.900 covas em Belo Horizonte como plano de contingência para a pandemia do novo coronavírus.

"Nós estamos nos preparando, porque não chegou [o pico da epidemia]. Se a gente conseguir alongar isso mais um pouquinho, temos risco de não chegar", afirmou ele durante transmissão nas redes sociais.

A preparação para os quase 2.000 sepultamentos é feita em três dos quatro cemitérios municipais da capital (Saudade, Paz e Consolação), distribuídos de acordo com o tamanho de cada um e com o número de jazigos existentes neles.

O maior deles é o da Paz, com 47.101 jazigos, seguido por Saudade, com 31.209, e Consolação, com 8.068. Cada jazigo tem três gavetas.

A medida visa evitar um possível colapso no sistema, caso BH venha a viver o pior cenário, levando em conta o que se vê em outros estados e países. Kalil disse ainda que não quer ser "o prefeito coveiro", ao defender as medidas restritivas adotadas na cidade.

Na segunda, ele anunciou a criação de um grupo reunindo técnicos e secretários da prefeitura que vai estudar a flexibilização para o retorno do comércio. A cidade segue apenas com serviços essenciais autorizados a funcionar.

"Eu estou profundamente horrorizado de gente [dizendo que] nós temos condições de reabrir o comércio. Baseado em quê? No que nós estamos vendo no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Amazonas, no Ceará, em Pernambuco? A pandemia vem para Belo Horizonte, gente. Tem cidade que fez abertura irresponsável aqui perto, que não tem um respirador", disse.

Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde, Belo Horizonte tem 555 dos 1.649 casos confirmados em Minas Gerais e 14 das 71 mortes em decorrência do novo coronavírus.

O número de sepultamentos nos cemitérios municipais passou da média diária de 25,5 em 2019 para 30 em março de 2020. Em abril, até esta segunda-feira, a média era estável: baixou de 26,7 no ano passado para 26,1 neste ano.

Segundo a prefeitura, ainda que os números não permitam conclusões diretas sobre o impacto da Covid-19, a redução pode ser consequência das medidas de isolamento social adotadas na cidade desde o fim de março.

Desde o fim do mês passado, velórios foram suspensos em BH e os sepultamentos são diretos. A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica adotou medidas de prevenção para funcionários, como a compra de equipamentos de proteção individual.