Prefeitura de Caxias faz intervenção em obra de Niemeyer e fecha marquise do Teatro Raul Cortez

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DUQUE DE CAXIAS — Uma obra da prefeitura de Caxias fechou com tijolos a marquise do Teatro Raul Cortez, que é obra do arquiteto Oscar Niemeyer. A estrutura faz parte do Centro Cultural que leva o nome do arquiteto na na Praça do Pacificador e também inclui a Biblioteca Pública Leonel de Moura Brizola. O local tem sido usado como abrigo por pessoas em situação de rua. O bisneto do arquiteto Oscar Niemeyer, Paulo Niemeyer, que também assina o projeto do teatro, disse que a intervenção não foi autorizada pelo escritório de arquitetura da família.

— A gente espera que o prefeito possa voltar atrás na decisão, porque a passarela é um elemento importante do próprio prédio, e aquele muro descaracteriza a obra.

Saimon Lucas Matias, de 21 anos, que vive no lugar com a mulher, Joyce Silva de Mello, de 18 anos, criticou a falta de políticas públicas de assistência social no município e a repressão com que a guarda municipal os trata.

— Eu vivo aqui embaixo há um ano. Estou correndo atrás de emprego, e está difícil. Eles só vêm aqui para tratar a gente mal, para humilhar. Por que vêm para reprimir a gente? Só porque eles dormem no ar-condicionado e a gente ao relento? Nós somos bichos? Nós somos pessoas! Não é porque a gente vive embaixo da marquise que a gente é bicho. Eles falam que estão dentro da lei, mas que lei é essa? — indagou.

Os dois foram viver na marquise do teatro depois que perderam a casa em uma comunidade.

— A gente perdeu nossa casa, ele perdeu o trabalho, não tinha como pagar aluguel mais — diz Joyce.

Também indignado com a obra, o ambulante Elias de Paulo, de 36 anos, se solidarizou com o casal. Ele relatou que morou sob a marquise do Raul Cortez por três anos.

— Eu já morei aqui na rua. O que eles estão fazendo é uma pouca vergonha. Se o prefeito viesse aqui com assistência social para ajudar as pessoas com emprego, creio que muitos não estariam na rua. Hoje não estou mais na rua, mas sei o que é isso. É muitas vezes não ter um alimento para comer. São poucos os que ajudam. Quando pede a alguém para pagar um salgado, muitos tratam mal, acham que a gente é marginal, criminoso. Quanto tempo tem o Raul Cortez e nunca pensaram em fazer muro debaixo da marquise! — afirmou.

Sem consulta à população

A técnica de enfermagem Ana Paula de Moura, de 47 anos, que integra o Conselho Municipal de Cultura diz que a sociedade civil não foi consultada sobre a obra no teatro, e considera dano ao patrimônio.

— Em nenhum momento, essa ação foi discutida com a sociedade. Está sendo feita de forma arbitrária pela prefeitura.

Para o fundador do grupo Movimenta Caxias, Wesley Teixeira, de 25 anos, a intervenção tem o objetivo de expulsar as pessoas em situação de rua da região.

— É uma obra que nitidamente vai tirar os moradores de rua dali. É uma obra que favorece mais a exclusão que a inclusão. A gente poderia discutir sobre um abrigo para as pessoas em situação de rua que não tem em todo o Primeiro Distrito (região de Caxias) — diz.

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