Prefeitura informa que abriu cem dos 343 leitos extras prometidos para combate à pandemia no Rio

Rafael Galdo
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Domingos Peixoto / Domingos Peixoto

RIO - A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio afirma que, até agora, abriu cem dos 343 leitos extras prometidos no primeiro dia do novo governo para reforçar o enfrentamento à pandemia na cidade. Desses, 80 estão disponíveis no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, e outros 20 no Souza Aguiar, no Centro. Ao longo das próximas semanas, são previstas mais dez vagas no Souza Aguiar e 23 no Salgado Filho, além 60 em parceria como o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, no Fundão. Há ainda 150 leitos que a prefeitura tentará contratar da rede privada, para o que foi autorizado um chamamento público no fim de semana.

Enquanto isso, a secretaria pretende continuar uma gradual desativação do Hospital de Campanha do Riocentro, que nesta segunda-feira tem apenas sete pessoas internadas. Segundo a prefeitura, a atual gestão recebeu a unidade com 42 pacientes, dos quais 17 tiveram alta, cinco morreram e 13 foram transferidos.

"As transferências foram realizadas para os hospitais Ronaldo Gazolla, Souza Aguiar e Lourenço Jorge. Vale ressaltar que alguns pacientes estavam internados há mais de 30 dias e foram transferidos para tratamento de outras doenças associadas", explicou a SMS, em nota.

A pasta também informou que, com o fechamento da unidade, todos os funcionários serão transferidos para o Ronaldo Gazolla. Segundo dados do Censo Hospitalar, cujo site foi aberto à consulta da população no fim de semana, é a unidade pública do Rio com mais pacientes de Covid-19 internados: 281 por volta das 13h desta segunda-feira.

No mesmo horário, o Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz (com 138 leitos ocupados por pacientes do coronavírus), o Hospital Universitário Pedro Ernesto (58), o Hospital Municipal Albert Schweitzer (56), o Hospital Estadual Carlos Chagas (41) e o Hospital Municipal Souza Aguiar (40) completavam a lista de unidades públicas com mais internações devido à Covid-19.

Preocupação com a rede federal

Segundo o município, ao todo, são atualmente 1.748 leitos destinados a síndrome respiratória aguda grave (SRAG) na rede SUS no Rio, sendo 833 de UTI e 915 de enfermaria. Presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Alexandre Telles afirma que uma das preocupações no momento é com a celeridade com que o município conseguirá abrir as novas vagas. Segundo ele, o temor se deve, sobretudo, devido às dificuldades de caixa encontradas pela nova gestão no município, o que poderia dificultar a contratação de profissionais.

- Mesmo com a transferência das equipes do Riocentro, não acredito que elas sejam suficientes para as vagas prometidas. No fim do ano, havia cerca de 80 médicos no hospital de campanha, e alguns pediram demissão. Por isso,tememos que a questão de recursos humanos deva ser o principal obstáculo aos novos leitos - diz Telles, que nesta manhã se reuniu com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

Ele afirma, no entanto, que a situação mais delicada no Rio atualmente é a da rede federal, após cerca de 4 mil contratos de profissionais de saúde temporários terem o prazo vencido no fim de 2020. No dia 31 de dezembro, uma medida provisória do presidente Jair Bolsonaro prorrogou até 28 de fevereiro o vínculo de até 1.419 desses profissionais. O restante, no entanto, ainda aguarda uma definição sobre a volta ou não ao trabalho.

- Mesmo que os 4 mil retornem a seus postos, é insuficiente para cobrir o déficit de profissionais da rede federal. Calculamos que seriam necessários outros 4 mil médicos, enfermeiros, técnicos, entre outros. O diagnóstico dessa rede é mais grave se olharmos para situações como a do Hospital de Bonsucesso, parte dele interditado (devido a um incêndio em outubro) e a do Hospital do Andaraí, que (em 2019) sofreu uma interdição ética da emergência pelo Cremerj - diz.

Com essas dificuldades, segundo o Censo Hospitalar, no início da tarde desta segunda-feira, 47,9% (ou 768) dos 1.603 leitos dos seis grandes hospitais federais do Rio estavam impedidos, ou seja, fechados devido a problemas como falta de pessoal, insumos ou equipamentos. Os hospitais da Lagoa, de Ipanema e Cardoso Fontes não tinham leito algum livre por volta das 13h. Só havia vagas no Andaraí e no Bonsucesso, além do Hospital dos Servidores do Estado.