Prefeitura inicia demolição parcial de prédio que ameaçava desabar em Rio das Pedras

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A prefeitura do Rio deu início, na manhã desta sexta-feira, aos trabalhos de demolição parcial de um prédio que ameaçava desabar no número 185 da Rua Estrela Dalva, em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. Segundo a subprefeita de Jacarepaguá, Talita Galhardo,será feita a demolição manual apenas do terceiro e do quarto andar, cujo peso apresentava risco para os dois primeiros pavimentos, que serão preservados. O local é muito estreito e não tem como os operários chegarem com máquinas, como retroescavadeira.

Outro prédio, vizinho ao que ameaçava desabar e que fica à direita da construção, foi interditado preventivamente para a demolição e será vistoriado após o fim do serviço. O trabalho, que deve durar todo o dia, está sendo feito por equipes da secretarias municipais de Conservação e Infraestrutura, além da subprefeitura local, Geo-Rio, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Light e Guarda Municipal, entre outros órgãos.

— O corte de energia já foi feito e agora a Conservação está fazendo o escoramento dentro do prédio, até para ter cuidado com as outras estruturas no entorno. Dos quatro andares, a gente vai demolir o terceiro e o quarto. O pessoal da Geo-Rio está avaliando risco do solo. Aqui é muito antigo e tem muita construção irregular e as pessoas estão crescendo (os prédios) para cima. A gente quer parar com esse crescimento. Por isso que estamos aqui todos os dias presente. Para evitar novas construções — disse a subprefeita.

A secretária municipal de Conservação, Ana Laura Valente Secco, disse que, em princípio, outros prédios em volta não estão em risco, mas a área foi isolada para facilitar o trabalho. Ela explicou também o que está sendo feito por sua equipe:

— Após o ocorrido de ontem, onde o prédio estalou, foi foi feita uma vistoria pela Defesa Civil e a mesma condenou o imóvel, As equipes da Conservação estão aqui desde cedo fazendo o escoramento. Como vai ser preciso derrubar os dois últimos andares, a gente tem de escorar o prédio para que evite que o peso cause maiores problemas.

A doméstica Maria das Graças Francelino da Silva, de 37 anos, moradora do quarto andar contou que as primeiras rachaduras começaram a surgir nas paredes de seu apartamento na última sexta-feira. Com medo, imediatamente se mudou com os dois filhos de 2 e 14 anos, para a casa de parentes na própria comunidade. Ela ainda não sabe como vai ficar sua vida daqui para a frente, mas se sentiu aliviada por sua família e pelos vizinhos, porque o alerta de queda veio a tempo de salvar vidas.

— O sentimento é de desespero e ao mesmo tempo de alívio.Imagina se tivesse sido à noite com as pessoas dormingo. Graças a Deus foi num horário que as pessoas estavam trabalhando — contou a moradora que estava chegando do trabalho quando viu os vizinhos sendo retirados de dentro do prédio.

Ela pagava R$ 300 de aluguel e já estava procurando outro imóvel na própria comunidade para se mudar definitivamente. O auxiliar de serviços gerais Alexsandro Miguel de Lima, de 47 anos, que morava no terceiro andar, já está acomodado numa quitinete, também em Rio das Pedras, cedida enquanto ele consegue dinheiro para pagar o aluguel.

— Por enquanto estou morando de favor. Matei o dia de serviço para acompanhar a demolição — contou o homem que morava sozinho há pouco mais de um ano no prédio.

Insegura, a moradora do segundo andar, que continuará de pé, disse que não volta para o prédio nunca mais. Ela morava no local com a filha, o genro e um bebê de sete meses.

— Deus me livre! Nunca, nunquinha eu volto — disse a mulher que ainda está procurando outro lugar para se mudar com a família.

No final da tarde de quinta-feira, às 17h, moradores saíram às pressas, com seus pertences em mãos, do edifício irregular, localizado na Rua Estrela Dalva, número 185. A contrução fica a cerca de 1km da que desabou na Rua das Uvas, no último dia 3. No local, moravam quinze pessoas, que foram cadastradas pela Secretaria de Assistência Social para terem suas necessidades avaliadas. A prefeitura informou que ofereceu ajuda, mas todos preferiram ficar nas casas de parentes.

Desabamento fatal

O prédio que caiu na última quinta-feira, também em Rio das Pedras, foi construído por um morador da comunidade para abrigar a sua família. A estrutura, que possuía quatro pavimentos, sendo um apartamento por andar, foi feita aos poucos, ao longo de mais de uma década. O último andar foi construído há cerca de oito anos. As informações foram repassadas por vizinhos e parentes das vítimas à equipe da 32ª DP (Taquara), que investiga o caso.

De acordo com os policiais, o responsável pela obra foi o comerciante Genivan Gomes Macedo, que tem um mercadinho na região. Seu filho, Nathan Gomes de Souza, de 30 anos, morreu soterrado; sua neta, Maitê Gomes Abreu, de 2 anos, também morreu. Sua nora, Maria Quiaria Abreu Moita, de 26 anos, foi socorrida e continua internada em estado grave no Hospital Municipal Miguel Couto. Os três estavam em um dos apartamentos do prédio que desabou.

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