Prefeitura não vê infração em festa com convidados sem máscara no Copacabana Palace

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Convidados em traje blacktie se enfileiram na porta dos fundos do número 1.702 da avenida Atlântica. Horas antes, as celebridades contratadas para os shows daquela festa ostentavam em suas redes sociais momentos no mais famoso endereço da orla carioca.

O pagodeiro Alexandre Pires compartilhou uma foto da janela do quarto do hotel, com vista para o mar. A funkeira Ludmilla, uma foto em que faz o símbolo de paz e amor. O sertanejo Gusttavo Lima publicou um vídeo em que ele e sua equipe, todos sem máscara, fazem piadas ("você emagreceu, bebê?", "é Photoshop") à beira da piscina.

A aglomeração vip que reuniu cerca de 500 pessoas no Copacabana Palace, na noite desta sexta (14), dia em que o Brasil ultrapassou 432 mil vítimas de Covid-19, foi alvo de poucos festejos na internet.

A Secretaria de Ordem Pública do Rio de Janeiro, responsável por fiscalizar eventuais infrações às regras sanitárias para brecar a pandemia, disse que foi ao local junto com a Vigilância Sanitária e não encontrou irregularidades.

"Durante a permanência das equipes da Prefeitura, havia cerca de 100 pessoas no local. Os agentes fizeram uma notificação de vistoria, mas não foi detectado nenhuma infração."

O decreto diz que casas de festa podem funcionar com até 40 da capacidade, mas têm que respeitar uma distância mínima de 1,5 metros entre os participantes. O primeiro ponto parece ter sido respeitado, o segundo, certamente não.

Vídeos mostram convidados sem máscara e qualquer distanciamento, alguns com taças de champanhe na mão para assistir aos shows. Mumuzinho e Dudu Nobre também subiram no palco do Copacabana.

Outros pontos desrespeitados da norma municipal: a "vedação de formação de aglomerações e filas de espera" e "o atendimento às medidas permanentes e variáveis de proteção à vida" (como o uso de proteção facial).

Outras festas tiveram tratamento diferente das autoridades. Bailes funk em favelas, e também um show do pagodeiro Belo no Complexo da Maré, por exemplo, acabaram em detenções sob acusação de desrespeito ao protocolo sanitário.

A festança foi organizada pela empresa da promotora de eventos Carol Sampaio, que disse ter respeitado o limite de lotação (480 convidados, fora funcionários, num espaço que comporta 1.800) e que estava dormindo quando a comemoração aconteceu.

"Eu, Carol, não estive presente, muito menos convidei ninguém para festejar nada, até porque acho que não é o momento pra gente festejar nada."

O fogo maior se voltou contra os artistas que se apresentaram no evento. Ludmilla, por exemplo, foi cobrada por ter postado na véspera: "A morte de milhares de brasileiros pela Covid-19 tem culpados e todos estão sentados em suas cadeiras no Palácio do Planalto. Inadmissível o governo recusar milhões de doses da vacina da Pfizer, vacinas essas que salvariam milhares de vidas. O que mais falta, Brasil?".

O que mais faltou, ali, foi consideração com as vítimas, rebateram seguidores. A atriz Samantha Schmütz, colega do ator Paulo Gustavo, vítima do coronavírus na semana passada, republicou um tuíte crítico: "Enquanto isso, na pandemia: festão no Copacabana Palace com 500 convidados e shows de Gusttavo Lima, Alexandre Pires, Ludmilla, Mumuzinho e Dudu Nobre" .

Havia, entre convidados, uma filha do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e uma neta do ex-ministro e ex-senador Edison Lobão (MDB-MA).

O portal jornalístico Metrópoles atribuiu o evento ao aniversário de um bicheiro. Procurado pela Folha, o Copacabana Palace não respondeu.

A reportagem ainda não conseguiu contato com os artistas contratados, e por ora nenhum deles se pronunciou nas redes --que continuam sendo abastecidas, como o passeio de lancha no litoral fluminense compartilhado por Gusttavo Lima.

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