Prefeitura pedirá demolição de prédio que pegou fogo na 25 de Março

SÃO PAULO, SP, 12.07.2022 - Prédio atingido por incêndio no último domingo, na região da rua 25 de março, corre o risco de desabar, bombeiros e policia evacuaram a região, nesta terça-feira 12. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 12.07.2022 - Prédio atingido por incêndio no último domingo, na região da rua 25 de março, corre o risco de desabar, bombeiros e policia evacuaram a região, nesta terça-feira 12. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo pretende demolir o prédio de dez andares que pegou fogo na região da 25 de Março. A gestão Ricardo Nunes (MDB) e a Procuradoria-Geral do Município anunciaram que pedirão à Justiça autorização para fazer a derrubada controlada do prédio.

Os focos de incêndio foram extintos por volta do meio-dia desta quarta-feira (13), após 63 horas de combate às chamas, segundo os bombeiros. O trabalho de rescaldo começou, mas o perigo continua.

"O risco de desabamento está presente o tempo todo", afirmou o porta-voz do corpo de bombeiros, Maycon Cristo. Ele explica que essa possibilidade levou os bombeiros a deixarem o trabalho interno de contenção das chamas.

O prédio que pegou fogo tinha 78 salas onde funcionavam lojas, estoques e escritórios comerciais. Havia material inflamável no local, de capinhas e carregadores de celular a tecidos. Também havia um refeitório.

Parte do edifício está inacessível, segundo o porta-voz dos bombeiros. Ele explica que o uso de jatos de água vindos de fora do prédio é ineficaz porque a água evaporaria antes de chegar ao fundo do prédio.

Com isso, o trabalho de combate às chamas precisou mudar. O procedimento agora é usar a água para conter os focos de incêndio o melhor possível, na parte da frente do prédio.

"Com o risco de colapso, optamos pelo combate externo. Todo incêndio é dinâmico. Nesse caso, temos um prédio de dez andares com cerca de 40 anos e cercado por outros prédios. Com a avaliação sendo refeita e constatando que alguns pontos sejam possíveis de acessar com segurança, alteramos nossa atuação e entramos", disse o capitão.

Segundo os Bombeiros, na manhã de terça (12), foram vistas novas rachaduras na parte lateral do prédio onde o fogo começou, além de algumas antigas que aumentaram de tamanho. A laje de alguns pavimentos chegou a apresentar uma curvatura. Além disso, foram ouvidos barulhos e estalos.

A incerteza sobre se as rachaduras no edifício foram causadas pelo incêndio contribuiu para a avaliação de risco.

Segundo informações da Polícia Civil, o fogo teria começado por volta das 21h de domingo (10) após uma explosão na altura do terceiro andar do prédio comercial da rua Comendador Abdo Schahin.

Houve desabamento da estrutura da loja Matsumoto, que fica na rua Barão de Duprat, e do teto da Paróquia Ortodoxa Antioquina da Anunciação a Nossa Senhora, na rua Cavalheiro Basílio Jafet.

O risco de que outros três edifícios atingidos pelo incêndio desabem não foi descartado. É o caso da loja e da paróquia.

Ao todo, segundo a prefeitura, nove edifícios foram interditados parcial ou totalmente. Como não são residenciais, não há pessoas desabrigadas.

De acordo com os bombeiros, o prédio não tinha AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). A prefeitura afirmou que a edificação é de 1948. No térreo funcionavam lojas e, nos demais andares, escritórios.

À coluna Painel S.A. do jornal Folha de S.Paulo, Cláudia Urias, diretora-executiva da Univinco (União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências), afirmou que a associação vai fazer treinamentos com o comércio local e quer checar a documentação dos estabelecimentos. O cenário, diz ela, é de desespero, e os lojistas se preocupam em ficar mais um dia de portas fechadas.

"Nem estou falando em faturamento. Imagine 150 mil a 300 mil pessoas por dia. Eu falo para eles que vai ser preciso entender que é por preservação e segurança, porque, se acontecer algum problema maior, a gente vai ter um impacto muito maior do que este que a gente já tem", afirma Urias.

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