Prefeitura projeta reativação do teleférico da Providência e a criação de 23 mil vagas em creches

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RIO — A Prefeitura do Rio pretende reativar o teleférico do Morro da Providência, parado desde 2016, e criar 23 mil novas vagas em creches a partir de uma experiência pioneira que será iniciada na comunidade da região central. De acordo com o secretário de Educação, Renan Ferreirinha, os postos serão gerados através da construção de novas unidades e de convênios com creches particulares.

O anúncio foi feito depois de uma reunião realizada no último sábado (4), entre moradores do local, o prefeito Eduardo Paes (PSD) e secretários municipais. O encontro foi promovido pelas ONGs Gerando Falcões e o Instituto Entre O Céu E A Favela. Durante a passagem pela Providência, Paes ouviu sugestões da população para a melhoria da qualidade de vida na cidade e assinou um protocolo de intenções para a região, que será iniciado com um diagnóstico territorial do morro.

O objetivo é que a Providência funcione como um "laboratório" do projeto Favela 3D (Digna, Digital e Desenvolvida) no Rio, criado pela Gerando Falcões com o objetivo de integrar tecnologia e políticas públicas e sociais para mudar realidades a partir da ótica de quem vive no morro, como já aconteceu na comunidade Vila Itália, em São José do Rio Preto (SP), e está em vias de ser implantado na favela Vergel do Lago, em Maceió (AL).

— A parceria foi iniciada com diálogo e com autocrítica do poder municipal, que pôde refletir sobre o que foi feito de certo e de errado em gestões anteriores. A partir disso, vamos mapear a região e analisar intervenções necessárias no local. A Prefeitura pretende criar 23 mil vagas em creches do município, através de convênios e de obras de novas unidades. A Providência, é claro, estará entre os locais contemplados. Na reunião, o prefeito expôs a vontade de reativar o teleférico local, como uma medida que impactará diretamente na vida daqueles moradores — disse Ferreirinha.

Durante a visita, Paes e membros do secretariado visitaram uma creche da região. Grace Kelly Nascimento, moradora da Providência, falou sobre a defasagem de vagas no local: — Há outras duas creches no morro, mas não são suficientes. São muitas crianças. Trabalho em casa, sou trancista, às vezes minha filha pede colo quando estou com cliente. Com ela na creche ficaria mais tranquila e ela também poderia interagir com outras crianças - disse sobre a importância de novas vagas.

A visita à creche foi feita na companhia dos secretários de Políticas e Promoção da Mulher, Joyce Trindade, e de Juventude, Salvino Oliveira, que verificaram o trabalho feito na unidade com o programa de geração de renda e empreendedorismo para as 130 mães em situação de vulnerabilidade. Durante a pandemia, a creche forneceu bolsas de alimentos a essas famílias. Para moradores da Providência, o espaço é fundamental para que pais e mães tenham mais um local seguro para seus filhos.LaboratórioEm todo o processo do Favela 3d, a ideia é que diferentes áreas, como moradia, saúde, educação, cultura e lazer, devem ser trabalhadas em conjunto. Após os moradores apresentarem o diagnóstico dos problemas e suas propostas, começam a ser desenhadas as possíveis soluções e as táticas para levar o poder público, a iniciativa privada e ONGs a atuarem ao lado da comunidade, criando mecanismos para que a favela possa ser autossuficiente.Cíntia Sant’Anna, moradora da Providência e CEO e fundadora da ONG Entre o Céu e a Favela, é uma das responsáveis por fazer a ponte entre o projeto e a comunidade. A organização, criada há 10 anos, é uma das aceleradas pela Gerando Falcões, por meio de apoios, o que possibilitou ampliar a capacidade de atendimento e o quadro de serviços e atividades.Com as portas da ONG abertas, mesmo que de forma virtual na pandemia, a equipe da Entre o Céu e a Favela atendeu a inúmeros pedidos de ajuda que se tornaram mais urgentes com a Covid-19. Entre as novas necessidades observadas, estava a compra de água para que as pessoas de áreas mais afetadas pela falta de saneamento pudessem lavar as mãos, cuidado essencial contra o coronavírus — uma questão identificada mais rapidamente graças à rede que existe entre quem vive na comunidade.

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