Prefeitura quer aliviar superlotação do Hospital da Posse com unidade modular

Cíntia Cruz
·5 minuto de leitura

Após ter a abertura anunciada, até o próximo dia 25, pelo secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, para tratar pacientes com Covid-19, o Hospital Modular de Nova Iguaçu, no bairro Moquetá, passou a ser visto como aliado na saúde da Baixada Fluminense no período pós-pandemia. Um Hospital do Câncer ou uma unidade com leitos de retaguarda para o Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI), o Hospital da Posse, são as possibilidades aguardadas pelo prefeito Rogério Lisboa e pelo diretor do HGNI, Joé Sestello.

A superlotação é uma realidade que o Hospital da Posse enfrenta há muitos anos. A unidade tinha ontem 393 pacientes internados, sendo 156 (39,6%) moradores de outros municípios. O total de leitos do HGNI é 373. Por isso, na maioria das enfermarias, foram improvisados mais dois leitos, além dos quatro existentes.

A aproximadamente três quilômetros da Rodovia Presidente Dutra, a unidade recebe moradoras de várias cidades. Entre os pacientes internados de fora de Nova Iguaçu, 9,1% são de Belford Roxo, 8,6% de Mesquita e 5,85%, de Queimados. É neste município que mora a pensionista Alcelina Cardoso da Gama, de 86 anos.

Ela está internada desde o dia 27, após fraturar o fêmur esquerdo durante uma queda. A família chegou a levar a idosa para a Unidade de Ponto Atendimento (UPA) de Queimados, mas a orientação foi buscar atendimento na Posse.

— A médica da UPA consultou minha mãe no carro e nos orientou a vir para o Hospital da Posse, porque aqui teriam mais condições de fazer o atendimento. Agora ela está aguardando para operar. Em Queimados, tem muita gente que procura a UPA e mandam vir para cá quando é algo mais grave. Se for tarde da noite e a pessoa não tiver carro, só de Uber ou táxi — contou a dona de casa Cirlene Cardoso Gama, de 51 anos, filha de Alcielina.

Apesar de morar na cidade, a atendente Andreza da Silva, de 26 anos, esperou atendimento por quatro horas no dia 1º, quando procurou a emergência com uma crise de vesícula.

— Fiz a classificação de risco e fiquei esperando. Não parava de chegar gente. Como moradora de Nova Iguaçu, acho ruim porque o hospital é da nossa cidade e vem muita gente de outros lugares. Mas entendo porque todos devem ser atendidos — pontuou Andreza.

O diretor do HGNI, Joé Sestello, disse que, com o aumento de número de casos de Covid, a superlotação só agravou:

— A gente precisou manter a demanda do não-Covid, e a demanda da Covid passou a existir. Na segunda onda, com todo mundo na rua, isso só dificultou. Abrimos mais 25 leitos de Covid. Na verdade, são dois hospitais num só. Tenho pedido ao secretário Chaves que, após o Covid, o Hospital Modular vire uma unidade de leitos de retaguarda. Com isso, vamos ter luz no fim do túnel.

O HGNI conta com 55 leitos exclusivos para Covid-19, sendo dez de UTI e 45 de enfermaria, que podem se tornar UTI. Nesta quinta-feira, havia 38 pacientes internados (seis em UTI e 32 em enfermaria).

Um aumento de 30% também foi registrado pela unidade no número de pacientes acidentados de moto do primeiro para o segundo semestre de 2020. De janeiro a junho, o HGNI registrou 1.178 casos de acidente de trânsito, sendo 723 envolvendo moto. De julho a dezembro, foram 1.586 acidentes de trânsito. Destes, 935 com moto.

Sestello disse ainda que o Hospital da Posse passa por mudanças na estrutura e na capacitação de profissionais:

— Além das obras de na rede de esgoto, reforma nas enfermarias, no telhado, o grande impacto assistencial programado para equipe em 2021 é redobrar a atenção, com mais capacitação e melhorando o acolhimento ao paciente que chega. E o pano de fundo é a certeza de que os municípios vão fazer a atenção básica e lutar de forma coletiva numa agenda comum para toda a Baixada.

Em reunião no Consórcio Intermunicipal de Saúde da Baixada Fluminense (Cisbaf), o secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, anunciou a abertura do Hospital Modular até dia 25 e disse que, após a pandemia, a unidade seria destinada a leitos de retaguarda para toda a Baixada, e não apenas para o Hospital da Posse, informou a pasta.

Hospital do Câncer na Baixada

Retomadas ano passado, as obras no Hospital Iguassú — fechado há mais de dez anos no município — serão concluídas no fim deste semestre, segundo a prefeitura. A ideia, segundo o prefeito Rogério Lisboa, é transformar a unidade em maternidade, com cerca de 90 leitos. Em seguida, a atual Maternidade Mariana Bulhões vai virar um centro de cirurgia eletiva.

— Quando a gente transferir a maternidade para o Hospital Iguassú, vamos entrar com obra de reforma no Mariana. Vão ser cerca de cem leitos, mas só para ano que vem.

Sobre o Hospital Modular, Lisboa acredita que vai desafogar o Hospital da Posse, mas ressaltou que, futuramente, pretende que a unidade vire um Hospital do Câncer para a região.

— O Hospital Modular vai ajudar muito aqui na Baixada essa questão da Covid. É uma ginástica adaptar o hospital e separar Covid do paciente comum do dia a dia. Após a pandemia,a gente quer fazer outro uso daquele equipamento que é tentar implantar ali o Hospital do Câncer, algo que não tem na Baixada. Se não resolver o Hospital do Câncer, naturalmente vai ser o hospital de retaguarda para o Hospital da Posse.