Prefeitura retira escombros de dentro do prédio do Automóvel Clube, abandonado há 20 anos, e diz não ter encontrado invasores

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RIO — Um dia após o prefeito Eduardo Paes ter revelado que há a possibilidade de uma rede de hotéis assumir o histórico prédio do antigo Automóvel Club do Brasil, abandonado há quase 20 anos, conforme antecipado pelo GLOBO, o município realizou, nesta quinta-feira, uma ação de limpeza e retirada de entulho de dentro do edifício do número 90 da Rua do Passeio, no Centro.

De acordo com a prefeitura, dona do prédio desde o início dos anos 2000, a Secretaria de Fazenda e Planejamento, em conjunto com a Secretaria de Conservação, fizeram reparos — não especificados — e reetiraram entulho do imóvel.

Antes disso, ainda segundo o município, a Secretaria de Assistência Social também havia ido ao local para verificar a existência de população em situação de rua, o que, segundo as equipes, não foi encontrado.

A ação foi acompanhada pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, órgão vinculado à pasta de Planejamento Urbano, por tratar-se de um bem tomado.

Nesta quarta-feira, o prefeito Eduardo Paes, durante a sanção do projeto Reviver Centro, no Rio Scenarium, revelou que há interesse de uma empresa de hostels no edifício. Não há, no entanto, qualquer previsão de início de obras ou de intervenção no prédio.

— Nós estamos tentando negociar. Ali, há uns anos atrás, o vereador e ex-prefeito Cesar Maia tomou uma atitude importante que foi de trazer aquele patrimônio para o município, mas nós não conseguimos viabilizar nada que o setor privado tivesse interesse. Agora, uma grande rede hoteleira, há duas semanas atrás, visitou ali e está pensando em fazer um empreendimento hoteleiro ali, uma rede de hostels. Nesse momento, o que a gente está tentando é conter essas invasões e ocupações que acontecem ali.

Prédio do Automóvel Clube do Brasil: mais de 167 anos de história

O prédio do Automóvel Clube do Brasil foi projetado inicialmente como residência em meados do século XIX. Consta nos arquivos do governo do RJ, em texto do historiador Artur Rodrigues, que, em 1845, foi alugado para ser utilizado como o recém criado Cassino Fluminense, um dos mais importantes salões da capital imperial, palco dos principais bailes de corte. Com o sucesso do empreendimento, em 1854 o imóvel foi comprado em definitivo, passando por uma reforma que duraria até 1860, sob o comando de Luis Hoxse, quando ganharia os contornos neoclássicos que, em parte, podem ser vistos hoje.

Em 1890, o prédio – do então Cassino Fluminense – chegou a abrigar o Congresso após a proclamação da República e consequente convocação da Assembleia Constituinte Republicana, no período das sessões preparatórias.A partir de 1900, o edifício começou sua relação com os donos de automóveis: passou a abrigar o Clube dos Diários, composto pelos poucos donos de carros da época. Em 1910, eles adquirem o prédio em definitivo. É nesse ano, inclusive, que uma nova reforma, sob o traço do arquiteto Joseph Gire, resulta na instalação da Em 1924, o clube se funde ao Automóvel Clube do Brasil, passando por novas reformas, com a construção, por exemplo, do jardim de inverno no interior do prédio e de salões laterais, hoje destruídos pelo abandono.

Em 1964, o prédio continuou sendo utilizado como um espaço de lazer e serviu como ponto de encontro de políticos e base para comícios. Um deles, histórico, foi o último do ex-presidente João Goulart, durante um evento militar, em 30 de março daquele ano, considerado por historiadores como o estopim do golpe militar. Em 1965, o prédio é tombado pelo estado do RJ.Depois disso, o prédio continuou abrigando o Automóvel Clube do Brasil por mais de 30 anos, assumindo a função de posto do Detran-RJ nos anos1990.Em 1996, no entanto, o prédio foi alugado para a instalação do Bingo Imperial, que remetia à época do Cassino Imperial, mas passava longe em termos de glamour. Logo, a população local se mostrou contra o Bingo e fez diversos protestos, até que o edifício foi leiloado e comprado pelo próprio município do Rio.A prefeitura, então, agora detentora do imóvel, em 2003, novamente entregou a administração do prédio ao Automóvel Clube do Brasil. Com dificuldades financeiras, no entanto, no ano seguinte, o prédio prédio foi esvaziado e, desde então, está em estado de abandono.

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