Novo censo da população de rua deve embasar pedido judicial para internações involuntárias no Rio

Lucas Altino
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Pessoas que vivem sob a marquise de um prédio na rua Camerino, esquina com Av. Presidente Vargas, no Centro (01/07/2020)
Pessoas que vivem sob a marquise de um prédio na rua Camerino, esquina com Av. Presidente Vargas, no Centro (01/07/2020)

Anunciado pelo prefeito Marcelo Crivella nesta segunda-feira, o novo censo municipal de população de rua deverá ser usado para embasar um novo pedido judicial para permissão de internações involuntárias na cidade. No início da pandemia, em março, o município foi impedido pela justiça de realizar acolhimento compulsório de moradores de rua, numa decisão que seguia a principal linha defendida por especialistas da área. O prefeito afirmou que o aumento recente dos moradores de rua gerou "constrangimento a população formal" e contribuiu para a disseminação da doença.

As entrevistas para o censo começaram nesta segunda e vão até a próxima quinta, num trabalho conjunto entre as secretarias municipais de Assistência Social e Direitos Humanos e de Saúde, além do Instituto Pereira Passos e da empresa Qualitest, contratada por licitação para o projeto. O último censo feito pela prefeitura, em 2018, gerou polêmica ao apontar um número populacional de 4.628 pessoas, enquanto um estudo de dois anos antes chegara a quantidade de 14.279. A Defensoria Pública do Rio costuma usar o dado de 15 mil pessoas.

O prefeito Marcelo Crivella afirmou que houve aumento dessa população durante a Pandemia, especialmente na Zona Sul. Ele citou que recebe diariamente vídeos de moradores, sobretudo de Copacabana, reclamando do problema.

— Pode ter certeza que Centro e Zona Sul tiveram muito mais população de rua os que o normal. População de rua aumentou muito, gerando constrangimento enorme na população formal — afirmou.

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Durante a coletiva, o prefeito culpou a decisão judicial que impediu internação compulsória pelo aumento de moradores de rua, o que, segundo ele, teria diminuído a disseminação de coronavírus entre a própria população de rua e na cidade. Com isso, admitiu que quer levar argumentos à justiça, após resultado do censo, para um novo pedido judicial. No entanto, Crivella não esclareceu se a medida valeria somente durante a pandemia.

— Com o censo e a política que vamos implantar, provavelmente tem aí a internação compulsória para esses momentos de pandemia, que pode se repetir. A partir do momento que há aumento expressivo da população, essas coisas se impõem — explicou o prefeito, que disse que a população de rua é vetor de coronavírus. — moradores de rua sem higiene necessária são vetores para aumentar disseminação da doença. Quem sabe agora depois do censo a gente consegue tomar as medidas necessárias.

Ao final da coletiva, Crivella disse que deverá ter resultados do censo na próxima semana, mas a data ainda não foi confirmada pelos técnicos.