Prefeitura do Rio anuncia que vai investir mais R$ 48 milhões em recuperação de via na Vila do Pan

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RIO — Em 2008 quando comprou um dos apartamentos na Vila Pan-americana, na Barra da Tijuca, Paulo Bessa, de 65 anos, não imaginava que anos depois, ele e seus vizinhos iriam viver com diversos problemas no entorno do conjunto de condomínios que tem cerca de cinco mil moradores. Quatorze anos depois de sua inauguração, a Vila do Pan, como é conhecida, ainda precisa de reformas. O entorno de parte do conjunto e da garagem de um dos blocos sofrem até hoje com afundamentos. Nesta quarta-feira, a prefeitura informou que novas obras para a solução dos problemas deverão começar daqui a dois meses. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), afirmou que o município vai disponibilizar mais R$ 48 milhões para a recuperação de parte da Avenida Cláudio Besserman Vianna. A obra de estaqueamento, drenagem, pavimentação, sinalização e urbanização – que vem se arrastando há anos – já retirou dos cofres públicos quase R$ 200 milhões. O chefe do executivo confirmou que houve um erro na execução do projeto. Ele discursou para uma plateia de moradores insatisfeitos com os problemas.

Covid-19 no Rio: Especialistas condenam aglomerações durante o feriadão de 7 de Setembro— Os problemas são desde sempre. Os apartamentos são perfeitos. Mas, as ruas é isso que você está vendo. Eles fizeram uma obra há menos de um ano, mas continua desse jeito. Estamos calejados de tantas promessas. Eles falam: ‘Agora vamos resolver e acabar com esse problema’ e nada. Aqui não foi dado, não foi comprado a preço simbólico por ninguém. Compramos e pagamos religiosamente. Viemos para cá acreditando (que não teríamos problemas) e deu nisso — reclamou o empresário Paulo Bessa. Inaugurada em 2007 para os atletas dos Jogos PanAmericano, na gestão de César Maia, a vila tem 17 prédios com 1.480 apartamentos. A construção, no entanto, não teve a preparação adequada do terreno no entorno. Faltou uma preparação do solo que garantiria a estabilidade nas construções. O procedimento, chamado de estaqueamento, foi realizado sob os edifícios. Por isso, não há riscos de desabamento. Nos últimos anos, diversas obras foram feitas no entorno. O que não surtiu efeito. Nesta quarta-feira, Eduardo Paes admitiu que houve erro de projeto e criticou a GeoRio por não ter conseguido solucionar o problema.

Vai viajar?Veja como tirar o certificado de vacinação da Covid-19— Não é trivial (que essa obra não esteja pronta). Fizemos essa Vila do Pan de maneira equivocada. Nós e o estado. Quando as coisas são feitas as coxas, teve um problema na origem, (acontece isso). Foi uma obra que a população acreditou. A maneira como a Prefeitura do Rio conduziu esse projeto, quase irresponsável, prejudicou o empreendimento da Vila Olímpica (Vila dos Atletas). Não é possível gastar mais R$ 48 milhões e daqui um tempo ter que vim outro prefeito para resolver a obra. É um desrespeito. São R$ 160 milhões (já gastos nos últimos anos) em uma coisa que não deveria ter custado isso tudo. É dinheiro de vocês. Terá a licitação e imagino que essa obra se inicie até o final do ano — disse Paes.Segundo o prefeito, haverá ainda um processo de licitação para a escolha da empresa que vai realizar a obra, que inclui também a recuperação do sistema de abastecimento das concessionárias de água, gás e esgoto. E a tendência é a de que antes do fim do ano o trabalho seja iniciado. Essa é a terceira vez que a Vila do Pan passa por obras de recuperação. As últimas duas custaram R$ 12 milhões e R$ 60 milhões, respectivamente.

Efeito 'passaporte da vacina': número de atrasados para a segunda dose no Rio cai 40% em uma semanaO presidente da Associação de Condomínio da Vila do Pan (Acvpan), Marcos Antônio de Souza, que mora no condomínio desde 2011, espera que o problema de afundamento das ruas seja solucionado de vez. Ele conta que há anos tem reivindicado a conclusão das obras junto ao poder público.— Desde 2010 estamos tentando resolver esse problema. Em 2014, na gestão Paes, as obras começaram na primeira fase. Mas, pararam no meio do caminho. Ela para no final do segundo mandato dele. O prefeito (Marcelo) Crivella, depois de muita insistência, terminou a primeira fase no ano retrasado. No entanto, não foi suficiente para resolver esse problema. São diversas questões a serem sanadas. Tem garagens interditadas, esgoto a céu aberto, caixa de gordura caindo. Existem muitos vazamentos de água e fora a desvalorização. Um apartamento aqui já foi a leilão por R$ 350 mil, quando valia cerca de R$ 2 milhões— disse.

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