Prefeitura do Rio define volta às aulas presenciais do 9º ano para a próxima terça-feira; sindicato dos professores é contra

Arthur Leal
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Gabriel Monteiro / Agência O Globo
Gabriel Monteiro / Agência O Globo

RIO — A prefeitura do Rio definiu que a volta às aulas presenciais na rede municipal começará já na próxima terça-feira, dia 17 de novembro. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, o retorno será opcional — estudantes poderão escolher por continuar com as aulas remotas — e valerá para alunos do Ensino Fundamental do 9º ano e do último ano do Programa de Educação de Jovens e Adultos e do Carioca 2 (projeto de correção de fluxo).

Segundo o município, 61 mil alunos estão matriculados nas turmas de 427 escolas que devem retornas às atividades presenciais. Nesta semana, ainda segundo a prefeitura, foi feito um processo de reorganização da retomada, com os ajustes dos últimos detalhes. Professores, alunos e demais profissionais de Educação que tenham comorbidades continuam afastados.

Estas aulas presenciais acontecerão em quatro dias da semana – às segundas, terças, quintas e sextas-feiras. As turmas estarão divididas em grupos A e B para evitar aglomerações. Serão três horas de aulas por dia, nos turnos da manhã e da tarde para o 9º ano. E à noite para o PEJA, como já era anteriormente. Nas quartas-feiras haverá um reforço na higienização das unidades escolares, que já passam por limpezas regularmente nos demais dias.

Escolas fechadas após denúncias

A decisão, no entanto, vai contra o que pensa o Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ). Em nota divulgada nesta sexta-feira, o órgão, que está em greve desde julho, já havia se manifestado contra a retomada das atividades in loco. O sindicato afirmou que, só nesta semana, sete unidades foram fechadas no município após denúncia da associação por contaminação de profissionais com a Covid-19. Nesta segunda-feira, um dia antes do retorno marcado das aulas, o Sepe fará uma assembleia on-line para decidir como será a mobilização a partir do dia 17.

— O quadro noticiado hoje, de alta ocupação nos leitos de UTI pra Covid no município só reforça o que nós observamos. É uma rede (municipal de Educação) onde profissionais que voltaram a trabalhar estão se contaminando e estes casos estão sendo escondidos. Em uma semana, conseguimos denunciar e fechar todas essas escolas. Entramos em contato com a secretaria e pressionamos, e eles se comprometeram a afastar também os profissionais que tiveram contato com o contaminado, o que não estava acontecendo — afirmou a professora Isabel Cristina Costa, coordenadora-geral do Sepe-RJ.

De acordo com o sindicato, as escolas fechadas por conta de profissionais infectados são: Escola Municipal Santo Tomás de Aquino (Leme); Soares Pereira (Tijuca); EM Araújo Porto Alegre (Usina); EM Reverendo Martin Luther King (Estácio); EM Azevedo Sodré (Pç. Da Bandeira); EM Presidente Jose Linhares (Ipanema) e EM Tomé de Souza (Senador Camará). A prefeitura, no entanto, afirma que a unidade em Ipanema não foi fechada.

– Hoje (sexta-feira) recebi a informação de que numa das escolas fechadas, a Tomé de Souza, o infectado estava indo trabalhar normalmente. E a escola estava aberta. A unidade em Ipanema, que a prefeitura diz que não fechou, também estava aberta, mesmo após um funcionário ter sido infectado. É um cenário impensável, que demonstra que os protocolos sanitários no Rio não funcionam — acrescentou a docente.

Sobre a volta às aulas presenciais do 9º ano na próxima terça-feira, Isabel diz que a categoria deve voltar a se reunir na segunda-feira, um dia antes, para definir como será a mobilização. Ela espera por um retorno esvaziado.

– Nós teremos uma assembleia na segunda-feira para avaliar a atual situação. Nós temos uma greve que está colocada desde julho. Achamos que as escolas vão amanhecer no dia 17 vazias. Com poucos profissionais, ou sem profissionais. Além das comorbidades, temos escolas importantes que já se mobilizam, até com pais de alunos, para não voltar — disse. — Esperamos uma audiência com o prefeito Marcelo Crivella, porque a decisão de reabertura é dele. Esperamos um diálogo democrático. Até agora não fomos chamados para essa conversa que estamos pedindo há tanto tempo.

Em nota, a prefeitura afirmou que a Escola Municipal José Linhares, em Ipanema, não foi fechada, e que o profissional contaminado por Covid não estava frequentando o ambiente escolar justamente por ter comorbidade. E ressaltou que não está havendo aula no momento e nenhum aluno foi prejudicado. O município conclui:

"A Rede Municipal de Ensino possui cerca de 55 mil profissionais de Educação. Na reunião do Sepe realizada esta semana, cerca de 1% dos participantes, aderiram à proposta do sindicato de não permitir que os alunos da Rede Municipal tenham aulas presenciais, embora as demais redes de ensino (privadas e estadual) já tenham retornado.

Nas seis demais escolas citadas pela demanda, a Secretaria Municipal de Educação cumpriu todos os protocolos estabelecidos pela Vigilância Sanitária para preservar a saúde dos funcionários. Todas as unidades escolares foram fechadas imediatamente e higienizadas. Os funcionários que testaram positivo - e quem teve contato com pessoas contaminadas - estão afastados e assim ficarão durante todo o ciclo da doença. Vale destacar também que, seguindo o protocolo sanitário, a direção e os setores administrativos atuam em sistema de rodízio de equipes no cuidado das escolas. Portanto, as equipes do rodízio que não tiveram contato com a doença retornam normalmente ao trabalho na próxima semana

Todos os cuidados estão sendo tomados para a preservação da vida dos profissionais. Vale lembrar também que a Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro tem 1.543 unidades escolares. Portanto, seis escolas representam menos de 0,4% da totalidade. Abaixo, segue texto com mais detalhes sobre a volta às aulas presenciais nas escolas municipais".

Protocolos definidos para o dia 17

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, o retorno dos professores e demais profissionais ao ambiente escolar se dará antes do retorno dos alunos, o que faz parte do planejamento. Os pais decidirão se levarão os filhos às escolas, que estarão abertas para recebe-los. Os protocolos de segurança indicados pela Vigilância Sanitária serão cumpridos para garantir a segurança da comunidade escolar. Haverá, ainda segundo a prefeitura, redimensionamento dos espaços utilizados e disponibilização dos produtos necessários para a higienização pessoal e do ambiente escolar, como máscaras, álcool em gel e sabonete líquido, entre outros itens. O retorno de outras turmas se dará após uma avaliação desta retomada inicial do 9º ano, PEJA e Carioca 2, com comunicação posterior para os demais estudantes.