Prefeitura do Rio determina faxina com detergente em locais de grande movimento

Luiz Ernesto Magalhães

RIO – A prefeitura do Rio de Janeiro começou nesta segunda-feira uma espécie de faxina geral em locais de grande movimento para tentar desinfectar locais públicos do coronavírus que possam contaminar a população. Acessos a estações do metrô, trens, BRTs, pontos de ônibus e hospitais estaduais e municipais serão lavados com detergente. O anúncio foi feito pelo prefeito Marcelo Crivella como forma de tentar conter o avanço da pandemia na cidade. Um novo balanço de casos só deve ser divulgado às 18h. Mas até este domingo 170 casos já haviam sido confirmados, em um aumento de 60,5% em comparação ao observado no sábado.

O presidente da Comlurb, Paulo Mangueira, explicou que serão usados 20 caminhões e 30 pulverizadores. A prioridade será concentrar a limpeza de bairros da Zona Sul, Barra que concentram o maior número de casos, bem como o Centro. Locais onde tradicionalmente a população de rua dorme também serão limpos durante o dia. Segundo Paulo Mangueira, essa estratégia essa estratégia de limpar locais públicos também está sendo empregada em outros países.

– O que nos assustou foi que em dois dias o número de casos quase dobrou na última semana . Isso nos forçou a tomar outras medidas como determinar o fechamento do comércio a partir desta terça-feira  por recomendação da comunidade científica. Nas favelas, por exemplo, a atividade comercial é o que traz maior movimento. Mas se continuar a expansão podemos estender essa atividade para outras áreas como consultórios que prestam serviços, como dentistas e até a indústria – disse o prefeito.

Em um balanço divulgado no inicio da tarde, o prefeito Marcelo Crivella disse que 80 por cento de um lote de 180 mil doses colocadas à disposição para a gripe já foram aplicadas no primeiro dia de vacinação. Já a secretária municipal de Saúde, Ana Beatriz Busch, anunciou um esquema especial para vacinar profissionais de saúde, e idosos que moram em condomínios ou em regiões que a prefeitura conta com unidades do programa de saúde da família.

Para isso, o município vai cadastrar médicos e enfermeiros (será preciso informar o registro profissional) em um link no site da prefeitura (www.rio.rj.gov.br) a ser divulgado nas próximas horas pela Secretaria municipal de Saúde. Nesse endereço, também estarão relacionados 29m locais onde as doses  da vacina poderão ser retiradas e como acondicionar as doses. Crivella explicou que médicos que moram em condomínios da Barra e da Zona Sul também terão acesso ao serviço. 

– Não é preciso correr até os postos do Detran. Isso superlota os postos e provoca engarrafamentos – disse a secretária municipal de Saúde, Ana Beatriz Busch.   

Segundo a secretária, as adaptações no  Hospital Municipal Ronaldo Gazolla (Acari) que será referência para o atendimento dos casos de coronavírus, já foram concluídas, com os leitos da maternidade transferidas para a unidade Herculano Pinheiro em Madureira. Hoje, a prefeitura já conta com cerca de 100 leitos disponíveis em Acari. Todos os doze pacientes internados com complicações da doença estão  sendo atendidos pela prefeitura no Hospital Gazolla. O Hospital também recebeu 3 mil máscaras para os profissionais de saúde.

Por sua vez, Crivella disse que os dez hotéis que a prefeitura está alugando diárias dará prioridade para retirar idosos que moram em comunidades da Zona Sul em favelas. Os valores das diárias ainda estão sendo negociados. Outra medida envolvendo comunidades será colocar galões com água e sabão para as pessoas lavarem as mãos. Também haverá espaços para a população de rua no Sambódromo, em um galpão no Santo Cristo, e em um espaço cedido pela Firjan em Honório Gurgel

– As medidas burocráticas estão sendo tomadas. Mas nada disso supera a decisão consciente de cada cidadão de se isolar, que m não saia da rua sem necessidade. E se isolar principalmente os  idosos – acrescentou o prefeito.

Bispo licenciado da Igreja Universal, o prefeito  encerrou a coletiva, feita pela internet para reduzir o risco de contaminação, com uma oração do Pai Nosso, que definiu que se tratava de um gesto independente de religião.        

– Precisamos da ajuda de Deus, fé nesse momento. Seja qual for a religião.Católicos, espíritas, evangélicos. Todos os nosso encontros vão terminar com uma oração – disse o prefeito.