Prefeitura do Rio diz que não usa taxa histórica de perda de doses em seu planejamento, porque 'são poucas vacinas'

Lucas Altino
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Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Após caso de pico de luz no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), que pode ter causado estrago a 728 doses da vacina CoronaVac, e de denúncias sobre desperdícios de frascos em postos de saúde, o secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, afirmou que a campanha de vacinação contra a Covid-19 não pode ser encarada como outra comum, em que há média histórica de perda de 5% das vacinas. Diferente da secretaria estadual, a prefeitura não vem contando com essa conta de segurança e, assim, o número de pessoas previstas para imunização vem sendo o mesmo da quantidade de vacinas recebidas.

Ou seja, enquanto o governo estadual subtrai 5% para calcular o número de pessoas vacinadas, após recebimento das doses, a prefeitura, ao receber 76 mil doses, estimou vacinar 76 mil cariocas. Em relação às denúncias de desperdício, Soranz respondeu, na apresentação do novo boletim epidemiológico da cidade nesta sexta-feria, dia 29, que todas serão apuradas.

— A secretaria tem experiência para vacinar, mas não pode trabalhar como se fosse campanha comum. Não podemos ter perdas porque são poucas vacinas — afirmou Soranz, que cobrou maior fiscalização nos postos de saúde. — Qualquer alteração precisa ser notificada para avaliarmos se a vacina será reutilizada ou não. Necessário manter qualidade da vacina.

Sobre o caso no HFB, o secretário explicou que o hospital precisa se manifestar acerca dos problemas técnicos, e que ainda é necessária uma averiguação para atestar se todas as doses estragaram ou não. O secretário também citou outras duas denúncias, anônimas, que estão sendo apuradas internamente. Segundo Soranz, a recomendação é que todas as doses sejam utilizadas, mas a aplicação em pessoas fora de grupo de risco, a fim de evitar inutilização, precisa ser exceção.

— Precisamos documentar as aplicações. Claro que se o frasco for aberto não intencionalmente, tem que utilizar no fim do dia -- disse Soranz, que negou registro de perdas substanciais de vacina até aqui. — Não há registro de grandes perdas. O caso no HGB ainda está sendo analisado.

Os problemas relatados em postos de saúde aconteceram após abertura de frascos e falta de pessoas para receberam a vacina. Após a abertura, a dose precisa ser aplicada em até seis horas ou corre o risco de estragar. Por isso, o secretário recomendou que, nos finais dos dias, funcionários abram apenas frascos que contêm dose única, em vez dos frascos comuns, que carregam 10 doses.

Em fevereiro, já a partir da próxima segunda-feira, dia 1º, a prefeitura iniciará seu planejamento para vacinação de pessoas com mais de 80 anos. Assim, até o fim do mês, seriam necessárias vacinas para cerca de 220 mil pessoas, mas, até aqui, há apenas a garantia da chegada de cerca de 65 mil doses da Coronavac na semana que vem. Na terceira semana de fevereiro, a expectativa é de recebimento de mais doses de Oxford/AstraZeneca.

— Obviamente não temos ainda as 220 mil doses. Mas há calendário claro que nos dê segurança para isso (vacinar todos com mais de 80 anos até o fim do mês). Se a vacina não for entregue, precisaremos reprogramar planejamento — explicou Soranz, que celebrou o posto do Rio como cidade do país que mais aplicou vacinas até o momento.

Apesar da permanências de todas as Regiões Administrativas da cidade na classificação de zonas de alto risco de contágio de Covid-19, o prefeito Eduardo Paes disse que conta com a consciência da população para evitar aglomerações, e não anunciou medidas de fechamento de setores da economia ou de restrição de circulação de pessoas nas ruas. A prefeitura seguirá nas fiscalizações contra festas ilegais, e anunciou 21 interdições de estabelecimentos no ano.

— A nota que a gente tem (boletim da cidade) não dá para passar de ano. Precisamos voltar para a classificação de risco moderado. Vamos fiscalizar, acompanhar, mas depende muito da atitude de cada um de nós — afirmou prefeito, que previu melhoria da situação em abril, após expectativa de vacinação em todos idosos da cidade. — Vamos avançar em março para o público entre 60 e 80 anos. Sei que tem muita gente angustiada em casa, que quer ser vacinado, mas falta muito pouco. Quem sabe no fim de março já teremos toda a população acima de 60 anos vacinada. E aí teremos abril com muito mais normalidade.