Prefeitura do Rio monta programas para mitigar o déficit educacional deixado pela pandemia

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Além de medidas de incentivo à volta às aulas presenciais, obrigatórias desde a última quarta-feira, a rede municipal de ensino do Rio terá, no ano que vem outras iniciativas para tentar recuperar o tempo de aprendizagem perdido durante a pandemia. O projeto “Travessia” será dedicado aos alunos que chegarem ao fim do 5º ano do ensino fundamental I este ano com grande defasagem no aprendizado. Em 2022, em vez de seguirem para o 6º ano convencional, eles receberão reforço de conteúdo, com uma abordagem pedagógica específica. No fim do ano, a escola decidirá, pelo diagnóstico do estudante, se ele cursará o 6º ano regular ou já estará apto a avançar para o 7º.

Já os programas “Carioca I e II” visam a solucionar o déficit educacional de alunos mais velhos. O foco será o estudante cuja idade é muito discrepante da faixa etária adequada para a série que ele cursa. Um aluno de 16 anos que está no 6º ano, por exemplo, poderá fazer o Carioca I, módulo que junta dois anos letivos num só — neste caso, o 6º e o 7º. Já o Carioca II combina conteúdos do 8º e 9º anos.

— Estamos criando programas de aceleração e apoio maior para alunos com muita defasagem, para tentar solucionar a deficiência curricular que passou a existir em 2020 e 2021 — explica Ferreirinha.

Segundo a SME, a retomada do ensino presencial, iniciada em fevereiro, chegou à marca de 85% de adesão no início de outubro. Dos 15% de alunos restantes, 4% são alunos que durante a pandemia não se apresentaram nem presencial nem remotamente, e os outros 11% correspondem àqueles que permaneceram em ensino totalmente remoto. São esses, um grupo de aproximadamente 70 mil estudantes, os maiores afetados pela volta obrigatória às salas de aula.

— Alguns desses alunos chegaram a ir para outros estados. Temos estudantes morando no Maranhão. Precisamos resolver isso — diz Ferreirinha.

A secretaria ainda pretende atrair de volta às escolas 25 mil alunos faltosos recorrendo a telefonemas para os pais, visitas às casas das crianças e até parcerias com associações de moradores.

Outra medida anunciada na quarta-feira pretende fazer com que os estudantes retornem às escolas: o ano letivo de 2021 na rede municipal do Rio, que se iniciou em fevereiro e se encerrará em 22 de dezembro, terá reprovação por falta, conforme decisão da Secretaria municipal de Educação (SME). Segundo o titular da pasta, Renan Ferreirinha, a possibilidade de os estudantes também serem reprovados por avaliação do conteúdo aprendido ainda será definida em discussão com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), que reúne dirigentes dos estados e do Distrito Federal. Isso porque, em se tratando de aprendizado, a pandemia de Covid-19 impôs a muitos alunos barreiras inéditas, que não serão solucionadas simplesmente pela reprovação, pontua o secretário.

— A gente não pode ter uma cultura punitivista ao extremo para acreditar que a repetição vai resolver o problema. Precisamos que o aluno tenha o conteúdo específico para a idade e a fase de aprendizado dele — salienta Ferreirinha.

As aulas presenciais voltaram a ser obrigatórias ontem nas unidades da rede municipal do Rio. Até então, o ensino estava no modelo híbrido. A mudança é uma das estratégias para tentar mitigar os danos causados pela pandemia no processo de aprendizado de seus estudantes.

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