Prefeitura do Rio pede à Anvisa liberação de autotestes para distribuir na rede pública de saúde e em escolas

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As secretarias de Educação e de Saúde do município do Rio entregaram à Agência Nacional de Vigilância e Saúde (Anvisa) um documento em que pedem pela liberação dos autotestes para Covid-19. O secretário Renan Ferreirinha, da Educação, assina o requerimento com Daniel Soranz, à frente da pasta de Saúde, pois quer que o exame seja distribuído também para alunos e profissionais da rede municipal de ensino, numa forma de identificar casos e possibilitar estratégias para evitar ao máximo a volta do ensino remoto. A proposta é de que os autotestes também sejam fornecidos para a rede de saúde da capital.

No documento, as pastas citam que o pedido dirato à agência vem da demora na tomada de decisão por parte da parta de Saúde federal sobre as promessas quanto à testagem em massa, "mas que até agora não se concretizaram, entendemos que a inércia do Ministério da Saúde não pode, mais uma vez, prejudicar o combate à pandemia", diz um trecho.

"Os índices de testagem no país continuam baixos em comparação a outros países e, com a explosão recente de casos, a taxa de positividade se mostra cada vez mais alta. Os autotestes, realizados pelo indivíduo sem a necessidade de buscar uma unidade de saúde, representam uma das alternativas que vislumbramos", diz trecho do documento.

— A gente quer fazer uma aquisição e distribuição pelas escolas, e a Saúde achou excelente. Porque isso conseguiria fazer com que a gente conseguisse evitar o máximo de alterações na própria dinâmica da escola — conta Ferreirinha.

O secretário de Educação estima que seriam necessários mais de 700 mil testes, inicialmente, para atender aos cerca de 644 mil alunos e mais de 50 mil profissionais de educação. A proposta inicial, explica, é que caso um aluno, por exemplo, teste positivo para a Covid-19, a partir da testagem de toda a turma pode ser avaliado quantas pessoas ser afastadas, voltando temporariamente para o ensino remoto e estratégias para dar continuidade ao ensino presencial em sala, por meio de acompanhamento da turma.

— Hoje nós temos todo o nosso planejamento, o nosso calendário de ano letivo, nós começaremos no dia 7 de fevereiro, completamente preparados para dar início a isso. Nós temos um protocolo sanitário que é rigoroso, inspirado em diversas práticas internacionais em que se prevê diferentes situações. Por exemplo, se um aluno acaba tendo um teste positivo, isso pode impactar naquela turma ter aula presencial naquela semana, e aí aquela turma passa para o remoto. A turma não deixa de ter aula, mas acaba sendo mais uma interferência. A gente precisa, cada vez mais, blindar a educação. Avançar com os autotestes é mais uma camada, mais uma ferramenta de enfrentamento à pandemia — diz o secretário.

O município tem inaugurado polos exclusivamente para a testagem de Covid-19, além dos atendimentos em unidades de atendimento primário, e tem ocupado lugares como escolas e centro cultural para suprir a busca da população pelo diagnóstico. O pedido para a liberação dos autotestes seria uma forma de agilizar e evitar o aumento da demanda nesses espaços em casos confirmados ou com suspeita em salas de aula. Segundo o secretário, o modelo de organização é inspirado em países que já adotaram o recurso, como Estados Unidos, Portugal, França, Espanha, Itália, Argentina, Chile e Peru.

— A gente acredita muito na testagem no Rio de Janeiro, não é de hoje que vem fazendo um grande processo de testes pela cidade, abrindo polos de testagem, e a Educação vem ajudando a Saúde nisso também, cedendo espaços que durantes as férias escolares podem ser utilizados como forma de testagem. E o autoteste já vem sendo utilizado em vários países do mundo de maneira bastante satisfatória — diz Ferreirinha. — É mais uma forma de ter o controle e de conseguir combater. O autoteste ajuda muito nessa responsabilidade cívica do próprio indivíduo, que consiga checar como se encontra e, a partir disso, tomar suas decisões.

Na manhã desta quinta-feira, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, voltou a falar que as escolas serão as últimas a fecharem em meio à pandemia. No documento, os secretários reforçam que a testagem é uma das estratégias de contenção da pandemia e contribuiria para a retomada segura das atividades. A volta às aulas será no dia 7 de fevereiro de maneira presencial, mesmo com o número crescente de casos na cidade em decorrência da variante ômicron.

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