Prefeitura do Rio pede ao governo federal 400 profissionais do Programa Mais Médicos

Para ajudar os profissionais de saúde do Rio no combate ao coronavírus, a prefeitura pretende recorrer ao Programa Mais Médicos, administrado pela União. O pedido de socorro está entre as medidas que foram anunciadas nesta quarta-feira pelo município.

— Já solicitamos ao Governo Federal que possa nos enviar, por meio do Programa Mais Médicos, mais 400 profissionais aqui — ressaltou o secretário municipal de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca, referindo-se ao Riocentro, pavilhão de exposições na Zona Oeste da cidade que deverá receber um hospital de campanha.

A instalação do hospital no Riocentro, que fica no Recreio dos Bandeirantes, também foi confirmada pela prefeitura nesta quarta. No local devem ser oferecidos pelo menos 500 leitos para atender pacientes que precisam de cuidados médicos, mas não estão com coronavírus. A ideia é desafogar as demais unidades municipais para que elas recebam infectados pela Covid-19.

— A nossa expectativa é de que, por conta do número que vem crescendo intensamente, a gente possa tirar (dos leitos hospitalares e trazer para o Riocentro) os pacientes que precisam de cuidado médico mas não estão com o coronavírus — explicou o secretário Gutemberg Fonseca.

O centro de exposições receberá apenas os pacientes da rede municipal que necessitam ou se recuperam de cirurgias eletivas ou que estão em tratamento. Um gabinete de crise foi montado no local com equipes das secretarias de Ordem Pública e Infraestrutura e de Saúde, que trabalham na organização e mapeamento de todas as necessidades de insumos e logística para o funcionamento do hospital de campanha.

“Drive thru” para vacinar os idosos

A Prefeitura do Rio também anunciou uma medida voltada para idosos, que formam um dos grupos mais suscetíveis à Covid-19: a vacinação contra a gripe, que acontecerá na campanha nacional marcada para começar na próxima segunda-feira, dia 23, não será mais nas unidades básicas de saúde. O atendimento a esse público acontecerá no Riocentro e em postos do Detran, ainda a serem definidos. Nesses espaços, será oferecida, ainda, a imunização contra o sarampo, destinada a outros segmentos.

— A ideia é fazer um “drive thru’’ da vacinação. O idoso poderá ser vacinado no próprio carro — explicou o prefeito Marcello Crivella.

O secretário de Ordem Pública afirmou que a medida tem o objetivo de evitar uma sobrecarrega ainda maior nos postos que já estão recebendo pacientes da pandemia. Além dos idosos, serão vacinados profissionais da Segurança e da Saúde. A extensão da campanha a outras categorias dependerá da estratégia do Ministério da Saúde.

O gabinete de crise da prefeitura também vai analisar hoje a viabilidade de instituir um horário especial para os idosos fazerem compras nos supermercados. Isso evitaria aglomerações e maior risco de contato com o vírus. Independentemente da medida do governo, a rede Pão de Açúcar já adota, a partir de hoje, um esquema para atender os mais velhos. Entre 6h e 7h, apenas clientes com mais de 60 anos vão entrar nas lojas. As filiais que ficam em shoppings vão obedecer aos horários do centro de compras.

Pessoas que fazem parte do grupo de risco também vão poder ser atendidas uma hora mais cedo em parte das agências da Caixa Econômica Federal (CEF) a partir de hoje. Além disso, o acesso de clientes será controlado para que o fluxo fique limitado a, no máximo, 50% da capacidade dos assentos das unidades.

A prefeitura estuda ainda tomar uma medida que vai afetar uma das principais atrações da cidade. A ideia é encontrar uma forma de controlar o acesso às praias, principalmente às da Zona Sul e a Barra da Tijuca, que hoje concentram o maior número de casos confirmados da doença.

— Nós já tomamos uma série de medidas, como interromper áreas de lazer (aos domingos e feriados) e fechar parques. Estamos estudando a questão do acesso às praias — disse Crivella.