Prefeitura do Rio pretende vacinar 500 mil crianças antes da volta às aulas, diz secretário de Educação

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RIO — Com o crescimento de casos suspeitos da variante Ômicron, o secretário municipal de Educação do Rio, Renan Ferreirinha, pleiteia junto ao Ministério da Saúde (MS) o envio de 500 mil doses da vacina contra a Covid-19 para inclusão de crianças de cinco a 11 anos no cronograma de imunização. O objetivo é concluir a aplicação da primeira dose de toda essa faixa etária ainda em janeiro, antes da volta às aulas, prevista para 7 de fevereiro.

Desde o último dia 16, a Anvisa liberou a vacina da Pfizer para quem tem entre cinco e 11 anos. O imunizante é diferente em relação à versão disponível para adultos tanto na fórmula, como rotulação e diluição. Na segunda-feira, o MS informou que “negociou antecipadamente com a Pfizer a compra de 100 milhões de novas doses de vacina, incluindo todas as faixas etárias”, mas disse que só vai formalizar a decisão no dia 5 de janeiro, sem informar quantas dessas doses serão destinadas ao público infantil.

O MS também não respondeu aos questionamentos do GLOBO sobre o envio dos imunizantes para crianças.

De acordo com Ferreirinha, a ideia é que, assim que o MS enviar os lotes de vacinas, as escolas municipais (que ficam abertas em janeiro para fins administrativos) sirvam de pontos de vacinação exclusivos para as cerca de 500 mil crianças dessa faixa etária que residem na cidade:

— Nosso objetivo é abrir algumas dezenas de escolas, em pontos estratégicos, para a vacinação de todo público infantil, da rede pública e privada. Se o MS enviar os lotes da vacina ainda na primeira quinzena de janeiro, vamos trabalhar para concluir a vacinação em massa dos pequenos ao longo da segunda quinzena do mês, antes do início do ano letivo.

Ainda segundo o secretário, a vacinação de crianças já tem aval técnico (da Anvisa) e, portanto, não existe motivo para que a vacinação seja adiada

— A vacinação traz a segurança para iniciarmos o ano com mais tranquilidade. Não podemos perder essa oportunidade por causa de capricho ideológico — disse Ferreirinha, acrescentando que não condicionará a volta às aulas à vacinação: — No Rio, a escola vai ser a última a fechar e a primeira a reabrir. Não haverá barreira sanitária nas escolas. Não podemos ficar na mão do governo federal.

Na noite de ontem, a artista Luana Carvalho, filha da sambista Beth Carvalho, anunciou nas redes sociais que testou positivo para a Covid um dia após participar de um evento com o prefeito Eduardo Paes, o próprio secretário Ferreirinha e músicos do samba. Imagens que circulam nas redes sociais mostram que os presentes não usavam máscaras de proteção. Além de Paes e Ferreirinha, o secretário de Juventude Salvino Oliveira também esteve no evento.

Com 94 casos suspeitos da variante Ômicron em investigação na cidade do Rio, o secretário municipal de saúde Daniel Soranz já considera que há transmissão comunitária da nova cepa do coronavírus na cidade, o que significa que o vírus já circula no Rio.

A secretaria estadual de Saúde diz que 201 amostras de testes RT-PCR para Covid são investigadas como suspeita de Ômicron no estado, e 159 delas vão ser sequenciadas em laboratório, com o resultado previsto até 7 de janeiro. Os casos suspeitos são de pacientes de 12 municípios.

Para Diego Xavier, epidemiologista e pesquisador do Monitora Covid-19, da FioCruz, as férias escolares são uma janela de oportunidades para vacinar as crianças e também acredita ser muito provável que haja transmissão comunitária da Ômicron no Rio.

— A gente precisa de uma taxa de imunização bastante alta, ao incluir as crianças conseguimos atingir essa taxa de vacinação em relação à população total e o vírus tende a diminuir a circulação. Então, vacinar as crianças não é só pelas crianças, é benéfico para toda a sociedade. Assim, a gente chega no que chamam de “imunidade coletiva” — explica.

Segundo o especialista, assim como nos outros países, a Ômicron deve elevar o número de casos de Covid, mas, mesmo que estes não evoluam para formas graves, há risco de colapso do sistema de saúde devido a outros fatores, como a epidemia de Influenza e na cidade.

— Ao mesmo tempo que estamos enfrentando a Influenza, há esse aumento esperado dos casos de Ômicron porque as pessoas estão circulando. Tudo isso vai parar no serviço de saúde. Qualquer aumento, mesmo que pequeno, pode provocar desassistência. A gente tem que pensar que o SUS é um sistema, e a gente não está lutando só contra a Covid — afirma.

O publicitário Raphael Cerqueira, de 31 anos, testou positivo para Covid ontem. Na farmácia onde realizou a testagem, na Tijuca, o número de pessoas com resultado positivo tem subido desde o dia 21, disse ele:

— O atendente falou que estava sem positivo há 25 dias, mas começou a aumentar a partir do dia 21 e está em uma crescente.

Há, também, quem tenha procurado a testagem na rede pública por não ter conseguido encontrar em farmácias ou laboratórios. É o caso da empresária Lilian Magalhães, de 58 anos, que foi ao Parque Olímpico, na Barra da Tijuca.

— Corri tudo e não tem. Fui às farmácias e teria que agendar pela internet para fazer o teste. Tentei em laboratórios e só conseguiria vaga para 3 de janeiro. As próprias pessoas de lá me mandaram vir aqui — contou, enquanto aguardava o resultado de seu teste.

De acordo com a supervisora do posto, Fabiana Caetano, nesta quinta, o Parque Olímpico teve a maior movimentação já vista desde a inauguração, em 9 de dezembro: — Acredito que o atendimento vá aumentar mais ainda, possivelmente por causa do Ano Novo.

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