Prefeitura do Rio prorroga em cinco dias medida para distanciar passageiros nos ônibus

Geraldo Ribeiro e Pedro Zuazo

Cinco dias após regulamentar a circulação de ônibus com passageiros em pé, a Prefeitura do Rio publicou uma portaria nesta terça-feira prorrogando o prazo para as empresas se adequarem às medidas. De acordo com a norma publicada no Diário Oficial do município, as empresas terão cinco dias úteis para demarcar o piso dos veículos com adesivo ou tinta, indicando o distanciamento obrigatório entre os passageiros. A prefeitura determinou que seja respeitado o limite de dois passageiros por metro quadrado, nos corredores dos veículos.

Ao entrar no coletivo, o usuário terá de ocupar o  espaço onde haverá uma sinalização gráfica, de modo a garantir o distanciamento. A portaria traz uma ilustração de como a marcação deverá ser feita nos coletivos. De acordo com o modelo, são  27 marcações no piso do BRT, que possui  21 metros de comprimento e, 12 nos convencionais, que têm 12,7 metros de comprimento.

 

No início da pandemia, a prefeitura proibiu que passageiros viajassem em pé nos ônibus da cidade. No último dia 22, no entanto, mesmo com números ainda altos de infecção, o município liberou as viagens em veículos com assentos já ocupados, provocando preocupação em usuários e especialistas. No dia 25, um decreto regulamentou as novas regras, trazendo  uma série de obrigações tanto para os passageiros como como para as concessionárias.

A regulamentação do decreto, elaborada em conjunto pelas secretarias de Transportes e de Saúde determinava também obrigações para as concessionárias. Entre elas estava a determinação  para que as empresas higienizem os coletivos nos intervalos das viagens, providenciem equipamentos de prevenção para todos os funcionários , disponibilizem álcool em gel nas estações e organizem filas na área externa dos terminais, no caso do BRT.

Para o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, José Carlos Sacramento, a portaria da prefeitura tem tudo para dar errado, pois será difícil fazer o passageiro obedecer a marcação. Ele teme ainda que, se não houver fiscalização da prefeitura, pode se transformar em mais uma atribuição para os motoristas, que já dirigem, recebem o pagamento das passagens e dão troco.  Na sua opinião, o ideal é que as linhas de ônibus colocassem a totalidade de suas frotas nas ruas. Já há uma recomendação da prefeitura nesse sentido.

- Com a frota reduzida não tem como controlar o passageiro, que quer fazer a sua viagem. Ele tem compromisso com a hora de pegar no serviço e não vai querer descer para esperar outro ônibus. Além disso, o motorista não tem poder de polícia. O certo seria permitir que o motorista  não parasse mais no ponto depois de uma determinada lotação de passageiros em sentados e em pé - sugeriu.