Prefeitura do Rio restringe circulação em bairros com alto índice de aglomeração

ANA LUIZA ALBUQUERQUE E DIEGO GARCIA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Prefeitura do Rio de Janeiro adotou nesta terça-feira (12) medidas restritivas de circulação nos centros comerciais de três dos dez bairros com altos índices de aglomeração, para tentar conter a transmissão do novo coronavírus. Também houve suspensão do estacionamento para não moradores em toda a orla da praia que vai do Leme, na zona sul, ao Pontal, na zona oeste.

Nas áreas centrais dos bairros Grajaú (zona norte), Madureira (zona norte) e Santa Cruz (zona oeste), poderão circular apenas moradores, clientes e funcionários de mercados, farmácias e agências bancárias. As áreas ficarão isoladas por grades pelo menos até a próxima sexta-feira (18).

As regiões afetadas são o largo do Verdun, no Grajaú; a avenida Edgard Romero (trecho entre a descida do viaduto Negrão de Lima até a altura da Escola Municipal Carmela Dutra), em Madureira; e a rua Felipe Cardoso (altura do Terminal Alvorada do BRT), em Santa Cruz.

A Polícia Militar cuidará das barreiras colocadas nas regiões 24 horas por dia, com apoio de cem guardas municipais e dez carros.

Nos próximos dias, o bloqueio também chegará, de forma gradual, aos bairros de Jacarepaguá, Guaratiba, Realengo, Méier, Tijuca, Pavuna e Cascadura.

A fiscalização diária sem interrupção também acontecerá, segundo a prefeitura, nos estacionamentos nas orlas das praias entre o Leme e o Pontal. O objetivo é garantir que somente moradores deixem seus carros na região.

O controle será feito por dez equipes da Coordenadoria de Fiscalização de Estacionamentos e Reboques da Seop. No início da tarde desta terça (12), 18 veículos haviam sido recolhidos.

Na última quinta-feira (7) a prefeitura já havia adotado restrições de circulação no calçadão de Campo Grande, na zona oeste, importante área comercial da cidade.

Segundo a determinação, apenas funcionários de atividades essenciais como farmácias, agências bancárias e supermercados podem entrar no local, mediante apresentação de documento. O controle também ficou a cargo da Guarda Municipal.

Mesmo com recomendações da Fiocruz e do Ministério Público do Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel (PSC) não determinou medidas restritivas de circulação no estado. Ele delegou essa decisão para as prefeituras, afirmando que a Polícia Militar participaria das ações de bloqueio.

"Determinei, por decreto, ao secretário da PM que os comandantes dos batalhões se reúnam com os prefeitos das cidades onde o isolamento social não está sendo cumprido e apoiem as ações de bloqueio das ruas de maior movimentação", escreveu nas redes sociais. Witzel também prorrogou medidas de isolamento social até o dia 31 de maio.

Em Niterói, cidade da região metropolitana do Rio, o "lockdown" começou na segunda-feira (11). A prefeitura determinou multa de R$ 180 a pessoas que estiverem circulando nas ruas, praias e praças públicas, com exceção de funcionários e clientes em deslocamento a serviços essenciais, como supermercados e farmácias. O valor dobra em caso de reincidência.

Também foram instalados bloqueios em sete pontos da cidade. Nesses locais, guardas municipais estão medindo a temperatura de ocupantes dos veículos. Se uma pessoa estiver com a temperatura acima do normal, será encaminhada a unidades de saúde do município. Os agentes também verificam se os ocupantes são trabalhadores de serviços considerados essenciais.

Na segunda (11), primeiro dia da ação, a fiscalização ocorreu nas barreiras com os municípios vizinhos e em Icaraí, bairro com maior concentração de pessoas na cidade e com o maior número de casos da doença. Cerca de 300 agentes públicos participam desse controle.

Búzios, cidade turística do litoral fluminense, passou a adotar toque de recolher no início da semana. A circulação das pessoas nas ruas e nas praias está proibida das 23h às 6h. Durante essa faixa horária, também não será possível entrar e sair do município.

Poderão circular livremente apenas os trabalhadores de serviços essenciais e aqueles que buscam atendimento de saúde e farmácias, desde que apresentem justificativa.

Até esta terça-feira (12), o estado do Rio registrava 18.486 casos do novo coronavírus e 1.928 mortes. A capital contabiliza 10.816 casos e 1.279 óbitos.