Prefeitura de SP anuncia feriado de 10 dias e ativa "hospitais de catástrofe" contra Covid-19

Dimitrius Dantas
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SÃO PAULO — Após a morte do primeiro paciente que não conseguiu atendimento de UTI na cidade de São Paulo, o prefeito da capital paulista, Bruno Covas, anunciou a criação de um feriado prolongado que irá durar do próximo dia 26 até o dia 4 de abril.

A medida será realizada com a antecipação de cinco feriados: dois deste ano (Corpus Christi e Dia da Consciência Negra) e três do ano que vem(o aniversário da cidade, Corpus Christi e Consciência Negra). No ano passado, a Prefeitura já adotou medida similar para conter o avanço do coronavírus. Nos últimos dias, a cidade ultrapassou 90% de ocupação dos leitos de UTI.

— É para forçar a cidade de São Paulo a parar. A cidade que nunca parou precisa parar para que a gente não tenha mais casos como esse de pessoas que não conseguem ser atendidas — afirmou o prefeito.

O prefeito fez um pedido para que as pessoas obedeçam a antecipação do feriado e permaneçam em casa, sem utilizar os dias de recesso para viajar para o litoral do estado.

— A Prefeitura teme que as pessoas não entendam que não é momento de confraternização. Com feriado e sem feriado, elas podem desrespeitar essas regras, seja indo numa festa clandestina, seja lotando as praias. É preciso que as pessoas entendam que é um momento de doação, de apertar um pouco mais a nossa vontade de confraternizar para poder pensar num bem coletivo — afirmou Covas.

Segundo o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, a cidade vive o pior momento da pandemia, com a maior pressão já vista sobre o sistema de saúde. Mesmo a maioria dos novos leitos criados nas últimas semanas.

Com isso, a Prefeitura decidiu ativar dois "hospitais-catástrofe", focados apenas no atendimento de pacientes com Covid-19. Além dos dois, o Hospital Storopoli, na Vila Maria, também será transformado inteiramente em Covid.

— O município tem dois hospitais de catástrofe. Um desses hospitais é o Hospital do Jabaquara, que nas próximas 24 horas se transformará em hospital Covid com 360 leitos. Esses hospitais-catástrofe têm condição de instalação de leitos com oxigênio tanto para baixa e média complexidade, como de UTI. O hospital de Itaquera é o segundo hospital de catástrofe na cidade. Ali vamos implantar 180 leitos, 130 de UTI e 50 de enfermaria. Já anunciamos a transferência dos pacientes não-covid do hospital de Itaquera para que possamos fazer essa mudança. Devemos transferir toda a área de maternidade para um outro hospital público nosso na região — afirmou.