Prefeitura de SP faz acordo com hospitais particulares para ampliar leitos do SUS no combate ao coronavírus

Guilherme Caetano

SÃO PAULO — A prefeitura de São Paulo publicou um decreto nesta quarta-feira que permite à secretaria municipal de Saúde requisitar leitos hospitalares ociosos de hospitais particulares durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo o prefeito Bruno Covas (PSDB), a medida vai permitir à rede municipal de saúde ampliar em 3.456 leitos, entre os de UTI e os de enfermaria.

— Nós já tínhamos anunciado que estabelecemos convênio com a Cruz Vermelha e a Unisa. Nós já conseguimos avançar também com a Santa Casa de Santo Amaro, com o Hospital do Rim, com o Hospital Santa Cruz, com a Santa Marcelina e com a Beneficência Portuguesa. Todos esses hospitais que já atenderam ao chamamento da prefeitura de São Paulo e assinaram com a gente protocolo para poderem disponibilizar leitos de UTI para a rede pública — declarou Covas, em coletiva de imprensa nesta manhã

O decreto regulamenta uma lei aprovada na última quinta-feira pela Câmara Municipal. Covas afirmou que a prefeitura deverá pagar R$ 2.100 diários por cada leito privado disponibilizado à rede pública de saúde.

O prefeito falou também sobre os motivos pelos quais voltou atrás na decisão de trancar ruas da cidade. Na noite da última terça-feira, a prefeitura suspendeu todos os bloqueios de vias realizados para tentar aumentar a taxa de isolamento social na cidade. O índice ficou em 48% na capital paulista na segunda-feira, de acordo com o governo estadual. Bem abaixo dos 70% recomendados por especialistas para conter a disseminação do coronavírus.

— A partir de hoje, os bloqueios voltam a ser apenas educativos e não mais restritivos. Infelizmente, a medida não surtiu o efeito necessário, não diminuindo a circulação de pessoas. Em breve esperamos ter novas medidas, a serem anunciadas pela Secretaria de Transportes e pela CET — disse ele.

Segundo Covas, o confinamento compulsório, chamado também de "lockdown", ainda não está nos planos da prefeitura, mas não descartou a medida para tentar frear a epidemia.

— A prefeiura tem, em cima da mesa, várias opçoes de ação. Estamos buscando aquelas que não restrinjam ainda mais a atividade econômica. O critério objetivo (para a implementação do lockdown) é o que é recomendado pela Secretaria de Saúde. Eles sabem o quanto o lockdown significa, quais são os efeitos além da questão sanitária, para a área econômica. Mas quando eles acharem ser necessário, nós faremos.

São Paulo é o estado com o maior número de casos no Brasil, 34.053, de acordo com números do Ministério da Saúde da última terça-feira. É também o estado com o maior número de mortes. São 2.851 registrados, bem à frente do Rio de Janeiro, com 1.123. Os casos se concentram na capital paulista.

A taxa de ocupação dos leitos de UTI na região metropolitana de São Paulo estava em 89% no começo da semana. No estado, o índice era de 67%.