Prefeitura de SP realiza estudo para investigar relação entre petrolífera e inflamação na tireoide

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo realiza um estudo para investigar a suposta relação entre o desenvolvimento da tireoide de Hashimoto e a emissão de poluentes pelo Polo Petroquímico de Capuava (PPC). A ideia da pesquisa é entrevistar cerca de 4.500 moradores para averiguar se a poluição tem relação direta ou não com os casos da doença.

O PPC não está instalado na capital paulista, mas sim nos municípios vizinhos de Santo André e Mauá. No entanto, ele faz divisa com as regiões de São Rafael, São Mateus e Sapopemba, na zona leste de São Paulo. São nessas três localidades que casos de tireoide de Hashimoto serão estudados para observar se tem relação com o polo petroquímico.

A condição envolve um distúrbio no sistema imunológico que utiliza anticorpos para atacar as células da tireoide, órgão importante para regulação de hormônios. Então, a tireoide enfrenta uma inflamação e não consegue ter uma atuação adequada. No Brasil, a tireoide de Hashimoto é uma das principais causas de hipotireodismo, caracterizada pela queda na produção de hormônios no organismo. Sonolência e falta de disposição são alguns dos sintomas associados ao hipotireodismo.

Para averiguar se os casos de tireoide de Hashimoto nas regiões próximas ao PPC têm relação com os poluentes, a investigação envolve entrevistas para verificar se a pessoa tem doença na tireoide ou outro problema endocrinológico. Também serão observados sintomas como dor de garganta, rouquidão, ganho de peso ou perda de cabelo.

Aqueles indivíduos que apresentarem no mínimo três fatores associados a problema na tireoide serão encaminhados para UBSs (Unidades Básicas de Saúde) a fim de ter atendimento e contar com possível coleta de exames. Após isso, os pacientes que realmente apresentaram resultados indicativos da doença serão encaminhados para acompanhamento médico.

As áreas que participarão do estudo envolvem a abrangência de quatro UBSs: Jardim Colorado, Parque São Rafael, Jardim São Francisco e Rio Claro. Além dessas, outros entrevistados, de regiões distantes do PPC, participarão do levantamento para comparar com os moradores que residem próximo ao polo petroquímico. A Prefeitura de São Paulo espera que as ações se prolonguem para até 27 de janeiro.

A reportagem entrou em contato com a Petrobras, uma das empresas que atuam no polo petroquímico, sendo responsável pela Recap (Refinaria de Capuava). Ela afirma que a Recap atende a "todas as normas de segurança e saúde previstas em legislação e aos padrões internos, em compromisso com a segurança dos trabalhadores, das comunidades do entorno e do meio ambiente". A empresa reitera que não é a responsável pela operação do PPC.