Prefeitura de SP usa grades para isolar usuários de drogas na praça Princesa Isabel

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SÃO PAULO, SP, 19.04.2022 – PRAÇA-SP - Com o uso de grades de contenção, os moradores da Praça Princesa Isabel, no centro da cidade, foram separados da área que passa por reformas. Com pouco policiamento, a área e seu entorno, se parecem com a antiga Cracolândia; tem barracas montadas, usuários e as intimidações a imprensa são constantes. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 19.04.2022 – PRAÇA-SP - Com o uso de grades de contenção, os moradores da Praça Princesa Isabel, no centro da cidade, foram separados da área que passa por reformas. Com pouco policiamento, a área e seu entorno, se parecem com a antiga Cracolândia; tem barracas montadas, usuários e as intimidações a imprensa são constantes. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo instalou grades para dividir a praça Princesa Isabel, separando assim usuários de drogas e moradores de rua das equipes que trabalham no projeto de revitalização do local, que fica no centro da capital paulista.

Na manhã desta terça (19), equipes da gestão municipal trabalhavam na metade da praça em que fica um posto da Polícia Militar enquanto dependentes químicos mantinham rotina de compra e uso de drogas na outra metade, próximos à escultura em homenagem ao Duque de Caxias, patrono do Exército brasileiro.

Em nota enviada à reportagem a prefeitura informou que a instalação das grades tem como objetivo proteger as pessoas que estão na praça durante os trabalhos de zeladoria.

"A prefeitura, por meio da Subprefeitura da Sé, informa que os gradis móveis foram instalados em parte da praça Princesa Isabel para garantir a segurança de dependentes químicos que permanecem no local durante a execução de serviços de zeladoria, poda de árvores e jardinagem. Como nesses serviços serão utilizadas máquinas para movimentação de terra e retirada de galhos e troncos de árvores, a Subprefeitura da Sé instalou os gradis para manter a área das intervenções isolada e, assim, garantir a segurança da população em geral durante os trabalhos em execução. Mas a praça não teve o seu acesso impedido", diz o texto.

Segundo a gestão municipal, os trabalhos de revitalização do local começaram em 22 de fevereiro, cerca de um mês antes da mudança da cracolândia para a praça.

Por volta das 11h desta terça, a praça seguia lotada. O chamado fluxo, nome dado ao local onde os usuários de droga se concentram, funcionava normalmente. Um grupo formado por sete PMs e sete agentes da Guarda Civil Metropolitana acompanhavam o trabalho de zeladoria.

A prefeitura disse ainda que as abordagens de dependentes químicos em toda a cidade aumentaram de 3.029 em janeiro para 4.539 em março. Ainda de acordo com a gestão municipal, desde o dia 22 de fevereiro a praça Princesa Isabel foi palco de pelo menos "2.000 abordagens [das equipes de assistência social] e 342 encaminhamentos sociais e terapêuticos".

Há cerca de um mês, a praça Princesa Isabel se tornou o novo endereço da cracolândia, depois que os usuários de drogas deixaram o entorno da praça Júlio Prestes, que fica a poucas quadras de distância.

A prefeitura havia anunciado, ainda em março, um novo projeto de revitalização da praça, mas na ocasião não informou que medidas tomaria para impedir que o fluxo voltasse ao local.

Moradores e comerciantes da região já alteraram suas rotinas por medo da violência, em especial durante as operações de limpeza da praça, situações em que agentes de segurança auxiliam as equipes da prefeitura na remoção de barracas e outros itens.

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