Prefeitura suspende leilão de camarotes da Sapucaí para negociar utilização pelo Estado

Diego Amorim
Camarote da Prefeitura do Rio, leiloado por R$ 125 mil

A prefeitura suspendeu a realização do leilão dos camarotes 1, 2, 3, 4 e 5 do Setor 9 da Marquês de Sapucaí, localizados ao lado do segundo recuo da bateria, que aconteceria nesta quarta-feira. A decisão, publicada no Diário Oficial do município, foi divulgada pela coluna Extra, Extra, de Berenice Seara. Segundo o texto, a suspensão ocorreu "tendo em vista as tratativas da cessão para o governo estadual", o que foi confirmado pela Casa Civil. Os espaços da prefeitura e do governo estão localizados no mesmo setor.

O lance mínimo estava previsto em R$ 500 mil (valor para todo o bloco). A Casa Civil iria conduzir o processo, que, em 2019, foi feito pela Riotur. Este seria o quarto ano consecutivo que a prefeitura negociaria camarotes no Sambódromo. Nos carnavais de 2017 e 2018, o então governador Luiz Fernando Pezão também não utilizou o espaço e leiloou o camarote dele.

Em 2019, a prefeitura publicou um edital de licitação no Diário Oficial apenas em fevereiro, a poucos dias dos desfiles das escolas de samba. O processo realizado às pressas fez com que o município arrecadasse somente R$ 125 mil pelo aluguel dos espaços no setor nobre da Avenida. Já o governador Wilson Witzel utilizou o camarote do Estado.

— Esse é mais um indício do desprezo que o prefeito tem pelo carnaval. Não há planejamento, tudo é de última hora. É melhor esse patrimônio público para o Estado, leiloar para interessados ou incluir na cessão do sambódromo à Liesa com alguma contrapartida? A prefeitura resolveu leiloar e desistiu de véspera. Por quê? Acho que são joguetes eleitorais que no final trarão mais uma vez prejuízo para o orçamento público — afirma o vereador Tarcísio Motta (PSOL), que integra a CPI na Câmara que investiga a suspeita de favorecimento à empresa vencedora em 2019.

A CPI é composta ainda pelos vereadores Rosa Fernandes (MDB) e Átila Nunes (MDB). O grupo concluiu que havia fortes indícios de conluio entre três empresas que participaram da licitação dos camarotes. O relatório final foi encaminhado ao Ministério Público estadual (MPRJ).

— A CPI levantou claros indícios de um leilão direcionado nos anos anteriores e a prefeitura decidiu fazer novo leilão com os mesmos padrões para suspender na véspera. O carnaval devia ser valorizado como patrimônio cultural e oportunidade econômica para a cidade, mas é tratado de forma amadora e irresponsável por Crivella — destaca Motta.

A prefeitura também tem camarotes no Setor 11 — divididos com a Riotur — e, em 2019, levou a leilão, além dos espaços do Setor 9, o camarote Paddock, entre os setores 1 e 3 da Sapucaí, em frente ao primeiro recuo da bateria. Neste carnaval, no entanto, essa área ficará com a Liesa.