'Prefiro o ônus de vetar o Enem em Manaus do que a culpa por mortes de Covid', diz secretário

O Globo
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RIO - A Prefeitura de Manaus decidiu não liberar as escolas municipais para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e pedirá nova data de aplicaçao na cidade. O motivo é o alto número de casos, hospitalizações e mortes por Covid-19 na cidade. A aplicação das provas está marcada para começar nesse domingo.

O Inep informou que o presidente do instituto, Alexandre Lopes, e o ministro da Educação, Milton Ribeiro, estão em tratativas com o prefeito de Manaus, David Almeida, e com o governador do Amazonas, Wilson Lima, para buscar uma solução para a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020.

— Prefiro arcar com o ônus de tomar a decisão de não fazer a prova do que ter a culpa de ter liberado para pessoas se algomerarem, serem infectadas e irem a óbito. Essa culpa não carregarei — diz Pauderney Avelino, secretário de Educação.

No total, 38 escolas seriam cedidas para a realização das provas. Segundo Avelino, a pasta enviou ao Ministério Público Federal (MPF-AM) um ofício com os motivos da não liberação. Ele afirma que conversou com o presidente do Inep negociando uma nova data.

— Conversei longamente com, expliquei a situação e quem está aqui sabe o que eu estou falando. Foram 116 enterros ontem, um amenos do que no maior pico da pandemia. Não acredito que o Enem será cancelado em Manaus e encontraremos um data em fevereiro — diz o secretário.

Na última terça-feira, a Justiça Federal em São Paulo negou o pedido de adiamento das provas. As datas foram mantidas, mas ficou decidido que cabe aos munícipios, a depender da situação epidemiológica da cidade, impedir a realização do exame — se isso acontecer, o Inep, responsável pela prova, terá que reaplicar a prova.

— É uma temeridade, sobretudo nesse momento. Hoje é dia 13. A prova será daqui a quatro dias e sabemos que a situação de Manaus em relação a pandemia não vai acalmar até lá. Abrir as escolas para o Enem representa aglomeração na frente e no interior delas. Enviamos as nossas razões ao Ministério Público e também sugerimos que o Enem seja adiado — afirma Avelino.

A capital do Amazonas vive um novo surto da Covid-19 e sofre mais uma vez com hospitais e cemitérios lotados. Em 12 dias, o número de novas internações superou o total de abril e colocou janeiro como o mês com mais hospitalizações pela doença. Na terça (12), houve recorde de enterros diários desde o começo da pandemia: 166 sepultamentos. Do total de mortes, 85 tiveram a causa declarada como Covid-19.